icons.title signature.placeholder Amélia Sabino
15/12/2013
15:35

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sintracomec-AM) planeja uma paralisação de advertência nas obras da Arena da Amazônia a partir das 6h desta segunda-feira, após duas mortes confirmadas no sábado nas obras da Arena da Amazônia e na do Centro de Convenções do Amazonas, que fica ao lado do estádio. Segundo o presidente do Sintracomec-AM, Cícero Custódio, a entidade fez várias denúncias sobre as condições de trabalho impostas pela Andrade Gutierrez, construtora responsável pela obra da Arena da Amazônia, desde o primeiro acidente com morte na obra, em março deste ano.

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- Essa denúncia já tem mais de seis meses. A Andrade Gutierrez aumentou a carga de horário e instituiu esse turno da noite. Infelizmente as pessoas não deram atenção até que aconteceu de novo. Amanhã (segunda-feira) nós vamos parar geral. Eles não estão preocupados com a condição de trabalho dos operários. Nem a Andrade Gutierrez e nem o governo do estado - disse Cícero Custódio ao LANCE!Net.

Outras entidades sindicais foram chamadas para participar do piquete. Segundo Cícero, os operários da obra vão aderir por "estarem cansados de assédio moral". O sindicato denuncia que os trabalhadores têm sido pressionados a aceitarem turnos maiores de trabalho por causa do atraso na obra, que deveria ser entregue até 31 de dezembro. O estádio receberá quatro jogos da fase de grupos na Copa do Mundo de 2014.

Na madrugada de sábado, o operário Marcleudo de Melo Ferreira, 22 anos, caiu de uma altura de 35 metros enquanto trabalhava na montagem da cobertura do estádio e morreu. Mais tarde, também no sábado, José Antônio da Silva Nascimento, de 49 anos, sofreu um ataque cardíaco enquanto trabalhava na construção do Centro de Convenções do Amazonas, ao lado do estádio e faleceu. Em março, o pedreiro Raimundo Nonato Lima Costa, de 49 anos, caiu de uma altura de cinco metros quando tentava chegar até um andaime. Ele sofreu traumatismo craniano e faleceu.

A Arena da Amazônia conta com cerca de 1800 operários em sua obra, divididos em três turnos de trabalho.

Interdição

Segundo o Ministério Público do Trabalho, a Justiça do Trabalho do Amazonas acatou o pedido de interdição da obra na cobertura. Porém, segundo a Unidade Gestora da Copa do Amazonas (UGP) e a Andrade Gutierrez nenhuma intimação oficial foi recebida até o momento e planejam retomar a obra nesta segunda.