icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
13/03/2014
08:13

– Nasci no dia 29 de junho de 1993. Nasceu em Itapira (interior de São Paulo), o futuro campeão olímpico de boxe.

A frase acima pode resumir um pouco o estilo de Lucas Martins, de 20 anos. Lutador da categoria até 75kg, ele tem a difícil missão de substituir o medalhista de prata na Olimpíada de Londres-2012, Esquiva Falcão, na Seleção Brasileira. Mas quem disse que isso preocupa ele? Com a mesma naturalidade com que fala sobre suas características, conta sua história de vida.

E assim, o boxeador do Palmeiras e 3 sargento da Marinha não se importa em revelar que teve uma infância difícil na cidade do interior de São Paulo. Amante dos antigos filmes de Rocky Balboa, não costumava levar desaforo para casa. E arrumava muita confusão na escola. Até chegou a ser convidado a se retirar de uma delas.

Foi então que, em 2008, cansado de desentendimentos com os pais e com vontada de dar um novo caminho na carreira, resolveu mudar para a capital paulista. Até deixou um emprego de garçom no bar de um amigo, onde segundo ele, ganhava pouco. Foi morar com os tios e a avó paterna, Maria Helena. E descobriu o Centro Olímpico do Ibirapuera, onde começou a treinar.

– Comecei a lutar em 2008. Sempre gostei de boxe e fui um pouco problemático com essa questão de escola. Sempre briguei muito na rua. Tinha 15 anos, vários problemas de convívio com minha familia, meus pais. Era fissurado em filme de luta, estava vivendo uma vida meio louca e resolvi mudar para São Paulo Decidi um dia e fui no outro – disse o lutador em entrevista ao LANCE!Net.

Após muito treinar e não conseguir uma vaga por São Paulo no Campeonato Brasileiro de 2012, Martins foi procurar um outro estado para defender. A decisão desagradou seu treinador no Centro Olímpico, que pediu para ele não voltar mais para treinar. Mas o desejo por uma vaga na Seleção falou mais alto e ele lutou por Mato Grosso. Ficou em terceiro e passou a defender o Brasil.

Mas em maio do ano passado veio um grande baque com a morte da avó, vítima de câncer. Algo que ainda o deixa muito chateado, mas dá mais força para vencer no boxe.

Martins garante que Esquiva tinha dificuldades nos treinamentos contra ele e sonha em ser melhor que o medalhista olímpico. Um grande teste são os Jogos Sul-Americanos, a partir desta quinta-feira. E ele avisa:

- A expectativa é o ouro. É ir para final, lutar bem. Estou preparado.

Por enquanto, estudos de lado

Após mudar para São Paulo, Lucas Martins se formou no colégio em 2010. No ano seguinte, até começou a estudar Educação Física, mas parou.

– Fiz um ano e meio. Minha vó ainda estava viva, morava com ela. Mas em 2012, estava meio desanimado com a faculdade. Ia para a aula, treinava e trabalhava à noite dando aula de boxe três vezes por semana. Estava cansado e achei melhor abandonar – afirmou o boxeador brasileiro.

Atualmente, além dos treinamentos com a Seleção Brasileira, o lutador faz aulas de inglês com uma amiga.

Já a questão familiar parece resolvida.

– Fiquei muito tempo sem falar com minha mãe. Falava com meu pai pelo telefone. Sentia muita saudade. Nunca tive muito diálogo com eles. Mas gosto deles Me sinto bem e em paz quando vou para casa. Acho que pensam que sou doido, mas gosto de ficar ali – declarou Martins.

QUEM É O LUTADOR:

Nome:
Lucas de Abreu Martins

Nascimento:
29/6/1993, em Itapira (SP)

Altura e peso:
1,86m e 75kg (luta na categoria médio no boxe olímpico).

FRASES:

“Sempre lutei no peso até 75kg. Quando comecei era até 70kg, mas pesava e72kg, 73kg e nunca quis lutar em categoria abaixo. Substituir Esquiva não é difícl, é algo normal. Já esperava. Vou ser melhor do que ele”

“Esquiva tinha dificuldade contra meu estilo de luta. Ele e o irmão, o Yamaguchi. Sou alto, golpeio em linha na longa distância. Então, eles tinham dificuldade. Mas sempre havia harmonia entre a gente, ele me dava conselhos. Ele falava que tinha sido prata na Olimpíada por sempre ser o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos. E ele via que fazia a mesma coisa”

Lucas Martins
boxeador

*O repórter viaja a convite do COB