icons.title signature.placeholder Fellipe Lucena
23/07/2014
08:02

Em meio a uma das maiores entressafras de ídolos de sua história, o Palmeiras visitará um estádio emblemático nesta quarta, às 19h30: foi na Ressacada, palco do jogo de ida contra o Avaí, pela terceira fase da Copa do Brasil, que o último jogador incontestável do clube, o ex-goleiro Marcos, atuou profissionalmente pela última vez.

Era 18 de setembro de 2011 quando as equipes empataram por 1 a 1, pelo Brasileiro. Foi a despedida oficial do Santo, mas não houve celebração: o camisa 12 ficaria até o fim da temporada sofrendo com dores no joelho esquerdo, sem jogar, e anunciaria o fim só em janeiro de 2012.

Em Florianópolis, poucos sabem que a trajetória do goleiro pentacampeão do mundo com a Seleção acabou ali. O único "intruso" no memorial do Avaí é Ronaldo, que estreou pelo Brasil no estádio, há 20 anos, e fez gol na vitória por 3 a 0 no amistoso com a Islândia.

Campeão do mundo com Marcos em 2002, Ronaldo é lembrado no memorial (Foto: Fellipe Lucena)

O volante Batista, que marcou o último gol sofrido por Marcos, está eternizado no memorial do Avaí, mas não pelo feito que o torna parte da história do ídolo palmeirense: com mais de cem jogos pelo clube, entre 2007 e 2011, ele aparece na foto do título catarinense conquistado em 2009. Aos 35 anos, Batista tem contrato com o Feirense, de Feira de Santana (BA), e deve se aposentar. Ele já afirmou ter orgulho do gol no Santo.

A um mês e três dias de seu aniversário, justamente o centésimo, o Palmeiras não tem sequer um candidato a ocupar o posto vago desde a saída de Marcos, o de ídolo em atividade. Fernando Prass e Lúcio são os mais queridos do elenco, mas já caminham para o fim de suas carreiras e, machucados, não jogam hoje.

Um reflexo talvez tenha sido o desembarque na capital catarinense, nessa terça. Não havia torcedores esperando, e o único "assediado" foi o massagista Serginho, abordado por curiosos enquanto colocava as bagagens do clube em um caminhão.

O "vazio" também é uma opção da diretoria: Barcos, Henrique e Alan Kardec tiveram saídas conturbadas, e não houve o mínimo esforço para manter Valdivia nesta janela. Todos tinham carinho da torcida e eram usados pelo marketing.

Paulo Nobre repete que não pode ser refém do centenário, e deve chegar à data festiva sem ter ninguém vestindo as históricas camisas 7, 9 e 10. Que a brilhante sequência de ídolos do Verdão não fique congelada na Ressacada por muito mais tempo...

Os quase-ídolos:

Barcos
Atacante argentino era pouco conhecido no Brasil quando chegou da LDU, do Equador, em 2012, mas virou "mania" entre os palmeirenses em poucos dias: ganhou a Copa do Brasil e foi um dos únicos a terminar a temporada com moral, mesmo com o rebaixamento à Série B. No começo do ano passado, porém, disse à diretoria que gostaria de sair para não perder espaço na seleção. Para se livrar de dívidas com o jogador, o clube o liberou ao Grêmio: foi a primeira polêmica da gestão Nobre.

Henrique
Zagueiro estava em sua segunda passagem pelo clube, com três títulos ao todo: Paulistão de 2008, Copa do Brasil de 2012 e Série B de 2013. Era capitão do time, adorado pela torcida, mas cobrou dívida da diretoria e logo foi vendido ao Napoli, da Itália.

Alan Kardec
Chegou sem muito alarde, emprestado pelo Benfica (POR), para ser artilheiro e destaque do time na Série B. Começou 2014 ainda melhor, com gols sobre todos os rivais no Paulistão, e caminhava para conquistar de vez os palmeirenses. Renovação virou novela porque o Verdão relutou em aceitar as várias exigências do jogador. São Paulo atravessou o negócio e levou, o que diminuiu a popularidade de Paulo Nobre entre os alviverdes.

Valdivia
Unanimidade na primeira passagem, quando foi o grande nome do título estadual de 2008, voltou ao clube e dividia opiniões desde 2010. Lesões e problemas extracampo se acumularam. Ida ao Al Juraijah, dos Emirados Árabes, rendeu R$ 10,5 milhões ao Palmeiras e foi festejada internamente.