icons.title signature.placeholder Rodrigo Cerqueira
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31/07/2013
08:05

O abismo financeiro entre as competições europeias e sul-americanas e as premiações consideradas baixas em torneios como as Copas Libertadores e Sul-Americana deixam o alerta ligado na Conmebol. Esses são motivos de reclamações constantes dos clubes, principalmente os brasileiros nos últimos anos.

Em entrevista ao LANCE!Net, o secretário-geral José Luis Meiszner respondeu questões que a entidade pouco esclareceu até hoje. Indicou que é preciso combater a violência no futebol sul-americano, demonstrou receio em disputar a final da Libertadores em um jogo único (assim como na Liga dos Campeões) e deixou claro que é quase impossível alcançar neste momento um nível parecido ao europeu. Confira os principais pontos:

Papel da Conmebol para combater a violência nos jogos de competições Sul-Americanas.

Supor que pelas exigências do futebol é possível mudar o comportamento dos cidadãos na América do Sul... É uma utopia. As pessoas se comportam dentro de um estádio como se comportam na sociedade. O que temos que fazer? Nada? Sim, temos que fazer alguma coisa. Temos que investir na prevenção. Quando um torcedor violento entra no estádio de futebol, a batalha já está perdida. Temos que ter identificação (dos torcedores), bons estádios, prevenção de alcoolismo, prevenção de drogas, a prospecção por aqueles que em seus países são processados por este tipo de coisa. Isso é o que o dirigente esportivo pode fazer. Porque o futebol que todos queremos ver em paz na América do Sul só vamos ter quando a América do Sul viver em paz. Nossa única alternativa é prevenir. Os dirigentes organizam a partida de futebol, mas não somos nós os responsáveis pela segurança. A segurança é de responsabilidade do estado, e nós temos que tratar de que não ocorra esses fatos. Mas não podemos constituir um exército armado e colocá-lo em um estádio para evitar os problemas de violência. Então é prevenção, prevenção e prevenção e esperar que o comportamento nos países da América do Sul melhore assim como acontece em outros lugares do mundo, quando as pessoas entram no estádio e têm o mesmo comportamento do que numa estação de trem, num colégio e em qualquer lugar em que tenha aglomeração.

Diferença entre premiação nas competições da Europa e da América do Sul. Papel da Conmebol para reduzir esta diferença.

Como sul-americano que sou, tenho que saber da diferença entre Europa e América do Sul. O mercado europeu tem efeito em todos os países com os torneios continentais da Uefa. com redução de distâncias, calendários absolutamente organizados com antecedência, com estádios confirmados um ou dois anos antes. Posso te dizer que dentro de dois anos a final da Liga dos Campeões será disputada em Berlim. Nós temos como objetivo na Europa ver tudo o que nos falta para tratar que nossos torneios de clubes sejam parecidos da melhor maneira. No Brasil os clubes entendem o que já é um produto dentro da América do Sul, por suas realidades futebolísticas e histórias esportivas. E porque fundamentalmente é um mercado de 200 milhões de pessoas, que implica em uma possibilidade econômica. E por se tratar de um torneio continental, nos obriga a subsidiar países sem muita história (no futebol) e com uma população pequena que também têm direito a disputar essas competições. E a Conmebol precisa defender os interesses de todos na América do Sul. No futebol tem que haver um princípio fundamental, que é da solidariedade. De nada serviria aos maiores, caso não pudessem competir com os menores.

Final da Copa Libertadores em jogo único, como na Liga dos Campeões:

Nós vivemos sempre olhando para o que se faz do outro lado. A Champions League se joga desta maneira. Nós temos que estudar tudo isso. Não comprometo a Conmebol. Minha opinião como dirigente e torcedor de futebol é que teremos outros problemas na América do Sul que nos leva a pensar em uma alternativa dessas. Está claro que quando se abre um estádio de futebol na América do Sul entram pessoas com suas formas de comportamento, que nem sempre são as melhores. E uma final implica em muita rivalidade com consequências que todos queremos erradicar. Quem sabe, analisando a possibilidade de uma final em um estádio que reúne todas as condições, em um lugar determinado previamente, poderia acontecer. Não só como uma questão estética ou econômica, mas como um aporte social de se jogar uma final de um torneio continental. Mas é uma ideia que hoje, de maneira alguma, está em discussão. Simplesmente esta é minha opinião pessoal.

Novos valores de patrocínio da Copa Sul-Americana:

No ano passado a Conmebol já conseguiu um aporte financeiro maior. Os clubes estão cobrando tanto na Libertadores quanto na Sul-Americana uma participação financeira mais importante. Este contrato nos permite aumentar os valores sobre os prêmios, mas você sabe que a conmebol é a mãe das associações, e por respeito a elas estes valores estão só em conhecimento delas.

Copa Sul-Americana:

Esta copa começou há 12 anos de uma maneira depreciada. Hoje, pelo o que paga esportivamente e financeiramente é uma copa apreciada. E associarmos a competição com uma empresa deste nível (Total) é muito bom.

Quanto rende a conquista do título:

Não sei e te digo... Porque a equipe também ganha direito de participar de copas posteriores, como continental (Libertadores). Então, qualquer coisa que te digo seria pouco, porque devemos somar tudo o que se deriva, depois de se ganhar esta copa, das competições posteriores. Se ganha mais por jogar a Libertadores, a Recopa, há uma série de coisas que seguramente vão modificar a situação econômica do campeão.

Novo patrocínio pode também incrementar valores na Libertadores?

A Copa Libertadores tem a Bridgestone. O contrato está vigente por dois ou três anos mais. A Bridgestone começou há pouco tempo, na edição anterior. Estes contratos, por características, nunca são contratos anuais. Os patrocinadores sempre buscam um tempo maior até para avaliarem o retorno.

Reunião do Comitê Executivo da Conmebol:

Nesta semana (amanhã). Tratará de questões habituais, e da reforma do estatuto (da Conmebol). A reforma tem a ver com duas coisas: a primeiraé uma série de questões que não são das mais importantes, têm a ver com procedimentos etc.. E outra em que há alguma inquetude, e que veremos por lá, é dar uma nova estrutura ao Comitê Executivo, que seja um pouco diferente. Não muito diferente, mas alguma modificação pode acontecer. E obviamente eu não vou anunciar, porque tudo deve ser tratado na reunião.

O abismo financeiro entre as competições europeias e sul-americanas e as premiações consideradas baixas em torneios como as Copas Libertadores e Sul-Americana deixam o alerta ligado na Conmebol. Esses são motivos de reclamações constantes dos clubes, principalmente os brasileiros nos últimos anos.

Em entrevista ao LANCE!Net, o secretário-geral José Luis Meiszner respondeu questões que a entidade pouco esclareceu até hoje. Indicou que é preciso combater a violência no futebol sul-americano, demonstrou receio em disputar a final da Libertadores em um jogo único (assim como na Liga dos Campeões) e deixou claro que é quase impossível alcançar neste momento um nível parecido ao europeu. Confira os principais pontos:

Papel da Conmebol para combater a violência nos jogos de competições Sul-Americanas.

Supor que pelas exigências do futebol é possível mudar o comportamento dos cidadãos na América do Sul... É uma utopia. As pessoas se comportam dentro de um estádio como se comportam na sociedade. O que temos que fazer? Nada? Sim, temos que fazer alguma coisa. Temos que investir na prevenção. Quando um torcedor violento entra no estádio de futebol, a batalha já está perdida. Temos que ter identificação (dos torcedores), bons estádios, prevenção de alcoolismo, prevenção de drogas, a prospecção por aqueles que em seus países são processados por este tipo de coisa. Isso é o que o dirigente esportivo pode fazer. Porque o futebol que todos queremos ver em paz na América do Sul só vamos ter quando a América do Sul viver em paz. Nossa única alternativa é prevenir. Os dirigentes organizam a partida de futebol, mas não somos nós os responsáveis pela segurança. A segurança é de responsabilidade do estado, e nós temos que tratar de que não ocorra esses fatos. Mas não podemos constituir um exército armado e colocá-lo em um estádio para evitar os problemas de violência. Então é prevenção, prevenção e prevenção e esperar que o comportamento nos países da América do Sul melhore assim como acontece em outros lugares do mundo, quando as pessoas entram no estádio e têm o mesmo comportamento do que numa estação de trem, num colégio e em qualquer lugar em que tenha aglomeração.

Diferença entre premiação nas competições da Europa e da América do Sul. Papel da Conmebol para reduzir esta diferença.

Como sul-americano que sou, tenho que saber da diferença entre Europa e América do Sul. O mercado europeu tem efeito em todos os países com os torneios continentais da Uefa. com redução de distâncias, calendários absolutamente organizados com antecedência, com estádios confirmados um ou dois anos antes. Posso te dizer que dentro de dois anos a final da Liga dos Campeões será disputada em Berlim. Nós temos como objetivo na Europa ver tudo o que nos falta para tratar que nossos torneios de clubes sejam parecidos da melhor maneira. No Brasil os clubes entendem o que já é um produto dentro da América do Sul, por suas realidades futebolísticas e histórias esportivas. E porque fundamentalmente é um mercado de 200 milhões de pessoas, que implica em uma possibilidade econômica. E por se tratar de um torneio continental, nos obriga a subsidiar países sem muita história (no futebol) e com uma população pequena que também têm direito a disputar essas competições. E a Conmebol precisa defender os interesses de todos na América do Sul. No futebol tem que haver um princípio fundamental, que é da solidariedade. De nada serviria aos maiores, caso não pudessem competir com os menores.

Final da Copa Libertadores em jogo único, como na Liga dos Campeões:

Nós vivemos sempre olhando para o que se faz do outro lado. A Champions League se joga desta maneira. Nós temos que estudar tudo isso. Não comprometo a Conmebol. Minha opinião como dirigente e torcedor de futebol é que teremos outros problemas na América do Sul que nos leva a pensar em uma alternativa dessas. Está claro que quando se abre um estádio de futebol na América do Sul entram pessoas com suas formas de comportamento, que nem sempre são as melhores. E uma final implica em muita rivalidade com consequências que todos queremos erradicar. Quem sabe, analisando a possibilidade de uma final em um estádio que reúne todas as condições, em um lugar determinado previamente, poderia acontecer. Não só como uma questão estética ou econômica, mas como um aporte social de se jogar uma final de um torneio continental. Mas é uma ideia que hoje, de maneira alguma, está em discussão. Simplesmente esta é minha opinião pessoal.

Novos valores de patrocínio da Copa Sul-Americana:

No ano passado a Conmebol já conseguiu um aporte financeiro maior. Os clubes estão cobrando tanto na Libertadores quanto na Sul-Americana uma participação financeira mais importante. Este contrato nos permite aumentar os valores sobre os prêmios, mas você sabe que a conmebol é a mãe das associações, e por respeito a elas estes valores estão só em conhecimento delas.

Copa Sul-Americana:

Esta copa começou há 12 anos de uma maneira depreciada. Hoje, pelo o que paga esportivamente e financeiramente é uma copa apreciada. E associarmos a competição com uma empresa deste nível (Total) é muito bom.

Quanto rende a conquista do título:

Não sei e te digo... Porque a equipe também ganha direito de participar de copas posteriores, como continental (Libertadores). Então, qualquer coisa que te digo seria pouco, porque devemos somar tudo o que se deriva, depois de se ganhar esta copa, das competições posteriores. Se ganha mais por jogar a Libertadores, a Recopa, há uma série de coisas que seguramente vão modificar a situação econômica do campeão.

Novo patrocínio pode também incrementar valores na Libertadores?

A Copa Libertadores tem a Bridgestone. O contrato está vigente por dois ou três anos mais. A Bridgestone começou há pouco tempo, na edição anterior. Estes contratos, por características, nunca são contratos anuais. Os patrocinadores sempre buscam um tempo maior até para avaliarem o retorno.

Reunião do Comitê Executivo da Conmebol:

Nesta semana (amanhã). Tratará de questões habituais, e da reforma do estatuto (da Conmebol). A reforma tem a ver com duas coisas: a primeiraé uma série de questões que não são das mais importantes, têm a ver com procedimentos etc.. E outra em que há alguma inquetude, e que veremos por lá, é dar uma nova estrutura ao Comitê Executivo, que seja um pouco diferente. Não muito diferente, mas alguma modificação pode acontecer. E obviamente eu não vou anunciar, porque tudo deve ser tratado na reunião.