icons.title signature.placeholder Marco Stamm
24/03/2014
18:24

Depois de aproximadamente quatro meses de disputas judicias para se manter na presidência da Federação Mineira de Futebol, o ex-presidente Paulo Schettino, jogou a toalha e disse ao L!Net que não pretende mais comandar o futebol mineiro. Ele descartou a volta por meios judiciais e a disputa de reeleição.

- Os recursos que eu tinha que fazer, já o fiz - afirmou.

Sobre a reeleição, ele entende que o estatudo dá brecha para ele concorrer.

- Tenho [direito de disputar a reeleição], mas não vou. Simplesmente não quero - declarou enfático.

Mesmo não ocupando a linha de frente, Schettino disse que não pretende abandonar o futebol e não negou apoio a algum candidato.

- Tenho 60 anos de futebol e não vou abandoná-lo. Assim que aparecerem os nomes, certamente vou apoiar algum candidato.

ELEIÇÕES

Enquanto o interventor da Federação Mineira de Futebol responsável pela eleição, Fernando Costa, não publica o edital oficializando o pleito, que por determinação judicial deve ser realizado até 29 de abril, o único candidato declarado, Paulo Cesar Freitas faz campanha junto aos clubes e ligas esportivas de Minas Gerais.

- Estou ansioso, pois tem os prazos da justiça para serem cumpridos e o edital tem que ser publicado com 30 dias de antecedência da votação. Enquanto isso estou viajando por Minas para visitar os clubes e ligas - declarou Freitas.

Para oficializar a candidatura, a Federação exige que a chapa tenha apoio assinado de quatro clubes da primeira divisão, de três da segunda, quatro agremiações amadoras e de cinco ligas municipais. Segundo o candidato, isso não é problema.

- Temos mais assinaturas do que o mínimo exigido. O Cruzeiro foi o primeiro a assinar. Só posso anunciar ele porque o presidente [Gilvan de Pinho Tavares] deu entrevista anunciando o apoio. Os outros assinaram, mas não tenho autorização para anunciar os nomes - garantiu Freitas.

Paulo Cesar Freitas tem experiência em disputas eleitorais. Foi prefeito de Nova Serrana por três mandatos e deputado estadual por outros dois. Aos eleitores promete uma série de mudanças na Federação, entre elas a abertura das contas ao público, incluindo contratos de patrocínio, mudança da sede da instituição, criação de um calendário que favoreça os clubes do interior, com mais competições e taxas menos caras.

- Para um clube entrar em campo atualmente, ele gasta no mínimo R$ 12 mil em taxas. É impossível para os clubes do interior sobreviverem com esses valores - declarou explicando que pretende conseguir patrocínios para baixar os custos dos times.

PROBLEMAS

O administrador responsável pelo processo eleitoral, Fernando Costa, disse que tem dificuldade para formar o colégio eleitoral e não descarta uma nova prorrogação de prazo para a votação.

- Temos problema com a documentação dos clubes amadores e das ligas municipais. Na semana passada publiquei edital dando prazo até esta sexta-feira para que todos enviem os documentos para a regularização da situação - explicou Costa.

Se a documentação estiver pronta nesta sexta-feira, o interventor tem até o domingo para publicar edital convocando as eleições.

- Mas acredito que dificilmente isso vai acontecer - antecipou Costa.

Para a eleição ser prorrogada novamente, o membro do colégio eleitoral comunica a necessidade ao judiciário, que pode marcar nova data.

ENTENDA O CASO

A Federação Mineira está sob o comando de dois interventores nomeados pela justiça. O problema começou no fim de 2012, quando o presidente Paulo Schettino estava há um ano de encerrar a sua segunda administração na instituição. Ele convocou assembleia para mudar o estatuto e prorrogar o seu mandato até julho de 2014, com objetivo de ficar no comando durante a Copa do Mundo.

O Ministério Público Mineiro entendeu que a mudança estatutária foi ilegal e pediu para a justiça afastar Schettino nomeando dois interventores. O presidente recorreu e conseguiu ficar, entre saidas e voltas, no cargo até a semana passada.

Nesse tempo uma comissão eleitoral foi nomeada para realizar a votação até 28 de fevereiro, mas alegou não ter tempo hábil para organizar o pleito. A justiça deu mais 60 dias de prazo (até 29 de abril) para a realização da votação e deixou a Federação sob o comando dos interventores Cristiano Aguiar e Fernando Lago.