icons.title signature.placeholder Igor Siqueira
01/03/2014
07:45

Uma parceria que começou no gramado da Vila Belmiro, em Santos, há 20 anos, e passou por um intervalo com mudança de rumos, está há cerca de um ano à serviço das Seleções de base. Assim como Felipão tem Murtosa no time principal, Alexandre Gallo tem Maurício Copertino para auxiliá-lo no trabalho com os futuros craques brasileiros. E a dupla já tem traçado um objetivo em especial: a conquista do inédito ouro olímpico.

– Pensando na Olimpíada de 2016, não poderíamos perder mais tempo. O projeto olímpico já começou na nossa cabeça. Dois anos passam muito rápido no esporte – disse ele em entrevista exclusiva ao LANCE!Net, referindo-se às convocações da sub-21, categoria que não é tradicional na base brasileira.

Tirando o tempo como companheiros dentro das quatro linhas, Copertino e Gallo já estão juntos há sete anos. A diferença em relação a Felipão e Murtosa, companheiros desde 1983, é grande, mas Maurício garante que a cumplicidade é similar.

– Trabalhar com o Gallo é simples e fácil. Trocamos muitas idéias sobre futebol. Entendemos que ter um bom relacionamento ajuda muito no nosso dia a dia com o grupo. Discutimos sobre esquemas táticos e conceitos do jogo. Ele me dá total liberdade para opinar sobre tudo – diz o auxiliar, zagueiro nos tempos de jogador.

Desde o dia 16, a dupla está na Europa, conhecendo a estrutura dos gigantes do continente e vendo de perto brasileiros com potencial de convocação, especialmente para a Olimpíada. Se seguirem os passos de Felipão e Murtosa, o sucesso será uma consequência óbvia.

VOCÊ SE LEMBRA?

Maurício Copertino foi formado nas categorias de base do Santos, entre 1984 e 1990. Sem espaço no time principal, o jeito foi procurar times do interior de São Paulo. Ele passou pelo Tupã e Oeste. O zagueiro retornou ao Santos em 1993 e ficou lá até 1995. Foi o período em que conheceu Gallo. A carreira fora das quatro linhas começou em 2006. Há sete anos ele é auxiliar do Gallo.

BRINCOS E CABELOS DIFERENTES? SEM PROBLEMAS

Nos primeiros meses da era Gallo na base do Brasil, surgiu uma polêmica em torno da rigidez do treinador, que prometeu “uma nova mentalidade”, deixando de lado jogadores com “brinco, fone de ouvido, cabelo (diferente) e marra”. Mas Copertino diz que a linha não é tão dura assim.

– Não temos nenhum problema ou preconceito com atletas que usam brincos, cabelos diferentes – disse ele, reforçando que, na Seleção, não dá para mudar muito os jogadores:

– As comissões técnicas dos clubes é que têm a missão de corrigir os atletas, por trabalharem o ano todo com eles.

ELOGIOS À SAFRA ATUAL

Na visão de Maurício Copertino, o Brasil está muito bem servido de jogadores jovens, apesar do recente fracasso no sub-20 (fora do Mundial) e no sub-17 (queda nas quartas da Copa).

– A safra é muito boa, o Brasil tem grandes jogadores em todas categorias. Para próxima Copa, na Rússia, muitos atletas irão aparecer – aposta, elogiando a formação de jogadores no Brasil:

– Conheço a maioria dos clubes e posso garantir que temos um ótimo trabalho de base, dando muita condição aos atletas.

BATE-BOTA
Maurício Copertino - Auxiliar técnico das categorias de base da Seleção, ao LANCE!

Qual exatamente é sua função como auxiliar do Gallo?
Todas as ações de observação de atletas nos clubes, ajudar na montagem da equipe na parte tática e treinamentos, além de, quando estamos em competição, ser o elo entre os atletas e o Gallo, processo que achamos importantíssimo dentro de qualquer equipe de trabalho.

Qual o planejamento de 2014 para as seleções de base?
Para este ano, teremos dez convocações da sub-20, sendo quatro para atletas nascido em 1993 e 1994. O Torneio de Toulon, na França, é a principal competição da temporada. Além disso, serão seis convocações para atletas nascidos em 1995 e 1996, preparando a equipe para o Sul-Americano de 2015, que será disputado no Uruguai, em janeiro.

Tem sofrido com “salto alto” por parte dos jogadores da base?
Em um ano trabalhando na CBF, não tivemos problema com nenhum atleta e participei de todas categorias em 2013 (sub-15, sub-17 e sub-20). Entre todos atletas que se apresentaram conosco não percebemos esse tipo de comportamento.

Preocupa a atuação dos empresários, que “assumem” os jogadores cada vez mais cedo?
Para nos é indiferente. Temos uma boa relação com clubes e empresários.