icons.title signature.placeholder Bruno Giufrida
06/11/2013
06:03

Reconhecido como um dos maiores formadores de atletas no Brasil, o Santos tenta melhorar seu trabalho nas categorias de base. Para isso, implantou novos métodos de trabalho e adotou a filosofia de que menos é mais.

Hugo Machado D’Elia, que assumiu a gerência do departamento há dois meses, determinou junto com a direção do clube o “enxugamento” no número de atletas. Antes, cerca de 250 atletas treinavam nos times inferiores, do sub-11 até a sub-20. A ideia é reduzir para 150 isso até o começo do ano que vem.

–  O pessoal se espanta muito com essa redução, mas a gente acredita em trabalho de base com número reduzido, com trabalho bem planejado, onde se possa cobrar também os treinadores. Eles têm de trabalhar fundamentos, corrigir erros, forçar repetição, treinar o gesto do passe, do chute, do cruzamento. Isso é um trabalho que tem que ser diário – diz D’Elia, que usa o vôlei como exemplo.

Dessa forma, a ideia é formar atletas prontos para atuar no profissional, sem “defeitos de fábricas”, problema alegado por Muricy Ramalho, ex-técnico santista.

Outra mudança está nos métodos de avaliação. Com a ajuda do observador Sandro Orlandelli, o clube definiu um padrão para as peneiras de jogadores. Antes, alguns atletas eram observados por mais tempo que os outros e não havia um critério único de avaliação.

–  Os treinos de testes serão em três dias. No primeiro, fundamento. Depois, a gente vai fazer alguns exercícios em campo reduzido. Por fim, no terceiro momento, organizaremos um coletivo com outros exercícios – explica o gerente, que antes trabalhou no Corinthians e também no Grêmio Barueri.

Bate-bola com Hugo D'Elia, gerente de base do Santos:

Quais são os projetos para um novo CT para a base?
A situação do CT está com o Comitê de Gestão, é uma necessidade muito grande. A gente acredita que quando tivermos o CT vai ser muito maior a qualidade de trabalho, e o Santos precisa disso, porque com os talentos que saíram daqui são talentos que se firmaram no futebol mundial. O Comitê que está vendo, a gente fica na expectativa.

Há médias de direitos econômicos e de salário dos jogadores?
Estipulamos um valor único de ajuda de custo em todas as categorias e um percentual de direitos econômicos.Todos agora que chegam ao Santos estão padronizados. Jogador que achar que deva ficar rico na base não vai. Não sou favorável que o jogador tenha um salário alto na base, tirando as exceções, como Neymar e Robinho.

Antes, os avaliadores viajavam o Brasil atrás de talentos. Como está sendo realizado isso agora?
O volume de jogadores que são apresentados no Santos é muito grande. Muitos jovens escolheram o Santos justamente porque sabem que aqui têm chances de subir, ser aproveitado. Como a oferta é grande, a gente está pedindo pro pessoal mandar algum materialzinho para identificarmos gestos técnicos, como chute e passe. A gente criou um departamento de avaiação para ver se o garoto tem os requisitos para vir fazer a peneira aqui.

Tem alguma meta de promoção de jogadres para o profissional?
Isso existe e tem que existir. Tem que haver cobrança para os treinadores, para os jogadores... Isso gera evolução. Converso muito com o Zinho (gerente de futebol profissional) para estipular a forma do menino ser promovido para o profissional. Só não acho saudável ficar estacioando no profissional. Ele tem que desenvolver as habilidades treinando e jogando pelo sub-20. Aí, quando solicitado, ele vai e volta, isso não é castigo.