icons.title signature.placeholder Russel Dias
28/02/2015
07:03

Aranha, Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena integraram a terceira melhor defesa do Campeonato Brasileiro do ano passado, com só 35 gols sofridos. Hoje, no Paulistão, o Santos tem a melhor defesa, tendo sido vazado apenas duas vezes em seis jogos, com Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho (ou Cicinho, já que o titular está lesionado) na formação principal.

De acordo com a comissão técnica do clube, não há nenhum segredo para armar a fortaleza defensiva do Santos: é tudo fruto de treinamento. Aliás, de treinamentos específicos.

O auxiliar técnico Marcelo Fernandes, ex-zagueiro do Peixe, foi designado pelo técnico Enderson Moreira para, pelo menos duas vezes por semana, comandar uma atividade exclusiva aos homens de defesa.

Enquanto atacantes finalizam incessantemente, os defensores Werley, Gustavo Henrique, David Braz, Paulo Ricardo e Jubal afastam e lançam bolas com a mesma repetição dos jogadores do setor ofensivo.

– O Enderson me deu liberdade para criar situação de jogo, para simular esses lances. A defesa do Santos está bem porque o time ajuda também, claro, mas esses trabalhos são importantes para chegar no jogo e repetir o que fez no treino. Não adianta só afastar a bola parado, senão eu só me canso e canso os jogadores também – explicou Marcelo Fernandes, em entrevista ao LANCE!Net.

Além de treinar como evitar que o Santos leve mais gols, os beques também pensam em como ajudar no ataque. Depois de todos os exercícios de defesa, David Braz e Werley, principalmente, buscam fazer gols.

Segundo Marcelo, não é só a repetição que faz da defesa do Santos ser uma muralha. A seriedade com que os beques atuam dentro de campo livra (e muito!) o goleiro Vanderlei de precisar defender diversos chutes.

Antes dos jogos, o auxiliar tem conversas com os guardiões da defesa e relembra diversos “mandamentos” que um zagueiro não pode esquecer em nenhum duelo com os atacantes adversários. A “cartilha” da zaga (veja mais ao lado) pode fazer o time do DNA ofensivo também se tornar referência na defesa.

OS MANDAMENTOS DA ZAGA, segundo Marcelo Fernandes:

AFASTAR: "Na dúvida, eu falo que tem que tirar a bola. Não pode sair jogando de bobeira. Manda a bola embora se não tiver o que fazer. Do zagueiro para trás, é gol do adversário, tem que pensar para não correr perigo. E eles são sérios quanto a isso".

COBRIR: "Zagueiro tem sempre que contar com o erro do outro, senão dá brecha para o atacante. Então sempre pensa que o companheiro pode errar, aí você pode cobrir ele e tirar dalí. Tem que ter confiança, óbvio, mas acontece".

CONVERSAR: "Não pode deixar de falar. Zagueiro vê o jogo de frente, tem que orientar. O David Braz e o Werley têm essa qualidade, que é sempre gritar para o companheiro. Não importa se arrumar confusão, defensor tem que falar em campo".

FAZER FALTA: "Usar um pouco da malandragem do futebol também ajuda. Eu uso o exemplo da pedalada histórica do Robinho. Se o Rogério, do Corinthians, tivesse parado ele na quinta pedalada, a falta seria fora da área".

BATE-BOLA com Marcelo Fernandes
Auxiliar técnico do Peixe, ao L!Net

Como funciona um treino específico para zagueiros?
Nenhuma defesa é boa se o time não ajudar. Não tem zagueiro bom sem volante que dê combate ou o atacante que marque. Uma coisa vem atrás da outra. O Enderson me deu liberdade para criar situação de jogo a eles. A defesa do Santos está bem porque o time ajuda.

Como determina qual trabalho será dado em determinado dia?
O Enderson, antes do treino, pede para a gente, antes de cada treino, pegar jogadores de uma posição para trabalhar. Eu procuro englobar tudo. Bola aérea a gente coloca bastante. Um zagueiro lançando para o outro. Procuro fazer um geral das necessidades.

Você é o técnico da defesa?
O comando é do treinador. Esse conceito do futebol americano é para esse esporte. O Enderson tem o comando. Ele escala. A gente só ajuda a preparar os jogadores.

COM A PALAVRA...
Enderson Moreira, técnico do Santos:

"A defesa tem um comportamento bom em função da responsabilidade tática do ataque, que marca lá na frente. Sempre vemos o Robinho, o Geuvânio, o Ricardo Oliveira e o Lucas Lima fazendo desarmes. Quando perdemos a bola, o time se compacta e tem uma postura diferente, que não podemos falar por ser uma questão tática. Esse trabalho do Marcelo Fernandes tem muita qualidade, por isso temos um número bom de auxiliares. O Marcelo faz esse trabalho de tempo de bola também. Isso auxilia.

Desenvolvemos situações para diminuir as chances do adversário de chegar ao nosso gol. Acima de tudo, tem que ter simplicidade. Zagueiro joga com segurança, muito mais do que audácia. Drible tem que ser situação de defesa. Tem que ter segurança e objetividade, sem arriscar, diferentemente do ataque".