icons.title signature.placeholder Mário Boechat
25/02/2015
17:37

A eterna rivalidade entre Panathinaikos e Olympiacos acabou causando cenas lamentáveis no clássico deste domingo no Estádio Olímpico de Atenas Spyros Louis. A confusão começou durante o aquecimento dos jogadores visitantes, quando os torcedores invadiram o campo e promoveram corre-corre, com direito a lançamentos de rojões e outros objetos.

Em campo, o clima era de pânico. O brasileiro Leandro Salino, do Olympiacos, estava no gramado e foi um dos alvos da torcida da casa. Por sorte, saiu ileso, apenas assustado, mas o suíço Kasami não teve a mesma sorte. Foi atingido por um rojão, disparado diretamente para o banco dos visitantes.

Segundo o brasileiro, brigas e confusões na Grécia são bastante comuns. Mas o lateral, que teve passagem pelo Flamengo quando ainda jogava como volante, diz que no clássico de domingo, foi acima do normal.

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- Já era mais ou menos esperado isto, mas não uma invasão tão grande. Porque isso geralmente acontece durante o jogo ou quando o Olympiacos está vencendo na casa do Panathinaikos. Mas começou antes de a bola rolar. Quando aparecemos, já fomos recebidos com foguetes. Mas isso já é normal. Quando nosso treinador entrou e foi ver, a torcida deles ficou mais nervosa, invadiu o campo e gerou aquela confusão com a polícia e a gente teve que sair correndo antes mesmo de a partida começar - revelou.

Leandro salino está desde 2013 no Olympiakos e já presenciou muitos casos de violência. Mas ele já se diz acostumado com casos como o que passou no clássico contra o Panathinaikos.

- Medo nós sentimos porque pode acertar alguma coisa na gente, ou até machucar algum jogador, como aconteceu com o Kasami. Medo a gente sempre tem, mas os jogadores que estão aqui há mais tempo já vão para estes jogos preparados, pois sabe que isso pode acontecer - lamenta.

Salino revelou que o contigente policial para este tipo de jogo é sempre grande, com até 500 integrantes, que fazem a escolta dos visitantes desde o centro de treinamento até o estádio. Mas o número de oficiais não se traduz em segurança, como foi visto no estádio.

PARALISAÇÃO DO CAMPEONATO AFETA OS ATLETAS

O brasileiro do Olympiakos lamenta a suspensão do Campeonato Grego devido aos episódios no clássico. Para ele, a federação deveria paralisar por, no máximo, um fim de semana, para não prejudicar os times e os jogadores, que ficariam sem ritmo de jogo.

- Afeta porque já adquirimos um ritmo de jogo, estamos disputando a Liga Europa. Se parar mesmo, que seja apenas um fim de semana e não por mais tempo, pois vai prejudicar o ritmo de jogo das equipes. Creio que a punição tinha que ser fechado o estádio deles, perda de ponto e multa. Não sei como a Fifa ou a Liga Grega aprova um campo desses, que não tem estrutura para receber um jogo desse porte.

Apesar do clima de insegurança que toma os jogadores no futebol grego, Leandro Salino não pensa em abandonar o país.

- Não penso, pois gosto do clube, da cidade, o país é muito bom de se viver. O clube tem uma excelente estrutura, sempre disputa a Liga dos Campeões. Espero que isso possa melhorar, como o presidente do Olympiacos está sempre discutindo e batendo nessa tecla, que a Grécia precisa melhorar para ser mais respeitada no futebol europeu.