icons.title signature.placeholder Michel Castellar
25/02/2015
14:13

Campo de golfe, escassez dos recursos hídridos e legado foram os principais temas da sabatina a que o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, foi submetido no fim da manhã desta quarta-feira, por cerca de 100 estudantes, de dez universidades. Apesar dos temas espinhosos, o encontro realizado na sede do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímicos Rio-2016, no Centro, transcorreu sob o clima da descontração.

- Estou aqui mais para ouvir e tentar responder às suas perguntas e saber o que vocês esperam das Olimpíadas na sua cidade - disse Bach.

Durante 90 minutos, Bach defendeu a oportunidade que o Brasil terá de crescimento por causa dos Jogos Olímpicos. Salientou a inclusão que as competições promoverão e a melhoria da infraestrutura que atrairá novos investimentos.

Logo na primeira pergunta, feita pelo estudante de educação física Anderson Castro, Bach precisou falar sobre educação. O universitário indagou o presidente do COI sobre o que seria possível fazer para melhorar a educação no Rio e obteve por resposta que diretamente a entidade não pode interferir nas políticas dos governos mas que, em parcerias como as celebradas com a Unesco, é possível promover a importância do esporte junto aos governos.

Mas foi a construção do campo de golfe aliada ao consumo de água para a irrigação do local que fez o presidente do COI prometer cobrar explicações da prefeitura do RIo. O estudante de Turismo Fernando perguntou o dirigente qual era a sua opinião sobre a declaração do prefeito carioca Eduardo Paes de que odiava ter de construir o campo de golfe e o Parque Olímpico de Canoagem.

- A canoagem é a parte mais fácil e em relação ao golfe fico um pouco surpreso porque foi o prefeito que pressionou para a construção do campo. Sobre a canoagem, por experiência em outras cidades, digo que há modelos de sucesso em utilização da instalação após os Jogos - afirmou Bach que, em seguida, pediu que o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, falasse sobre a construção do campo de golfe.

Nuzman salientou que a Federação Internacional de Golfe vetou os dois campos existentes no Rio e, por isso, houve a necessidade de construção de uma nova instalação. Em outra pergunta, da estudante Beatriz, da Universidade Getúlio Vargas, Bach respondeu sobre a utilização em demasia de água para a irrigação da grama do local, apesar da escassez hídrica, e a possibilidade de os moradores do entorno serem prejudicados.

- Recebemos informações quanto ao fornecimento de água, isso foi abordado na Comissão de Coordenação do COI e a prefeitura. Nos foi informado que em fevereiro aconteceram chuvas e que os recursos hídricos estão disponíveis para o fornecimento de água para toda a população. Vou investigar essa informação e ver se ainda existem problemas - frisou Bach.

O presidente do COI ainda foi arguido sobre a crise econômica do Brasil, a qual tratou de demonstrar confiança na recuperação do País. E acrescentou que os Jogos podem servir para mostrar que os brasileiros conseguem cumprir seus compromissos com a entrega de tudo o que foi prometido e, com isso, angariar a confiança dos investidores.

Outro tema que o dirigente abordou foi sobre o preconceito. Bach ainda foi taxativo ao dizer que a discriminação, sob qualquer pretexto, não é admitada pelo COI e mandou um aviso: "qualquer atleta que fizer um ato discriminatório de qualquer natureza será imediatamente enviado de volta para casa. Não cedemos um milímetro nessa questão".