icons.title signature.placeholder RODRIGO CERQUEIRA
09/07/2014
07:44

A Holanda de 1974 e o Brasil de 1982 foram duas equipes que entraram para a história porque apresentaram um futebol incrível, com muitos craques, mas que não conseguiram conquistar a Copa. A Laranja Mecânica foi além, colocou em ação o chamado futebol total imaginado pelo técnico Rinus Michel, no qual os jogadores se movimentavam por todo o campo sem guardar posição, e disputou duas finais seguidas: na Alemanha, em 74, e na Argentina, em 78. Um dos integrantes daquela escola, o zagueiro/lateral-esquerdo Ruud Krol afirmou ao LANCE!Net que o país dele teve "azar" por enfrentar as equipes da casa em duas decisões de Mundial.

– É certo que perdemos algumas oportunidades de vencer a Copa do Mundo. Mas disputamos duas finais contra as equipes da casa. E é muito difícil ganhar uma final na casa do adversário. Acredito que em 2010 foi uma grande chance, perdemos gols incríveis e o título não veio (contra a Espanha). Temos mais uma oportunidade de chegar à final, acredito que essa equipe pode conquistar o título – afirmou.

A atual seleção holandesa de Van Gaal foi uma surpresa na Copa de 2014. Finalista em 2010, passou por uma reformulação, contando com vários jovens. O treinador também gosta de uma movimentação constante dos atletas dele, mas qualquer comparação com a Laranja Mecânica para por aí.

– É impossível comparar. Aquele time de Michel foi único em qualidade, inovação tática, movimentação e espírito de equipe. Claro que hoje temos uma boa seleção, até porque estamos em uma semifinal de Copa, mas a seleção de 74 é incomparável.

Para Krol, a Holanda tem tudo para vencer os hermanos. Capitão na final de 78, contra a Argentina, ele diz que o país tem um ataque de peso com Robben, Sneijder e Van Persie.

Holanda disputa a final da Copa de 1974 contra a Alemanha (Foto: AFP)

A classificação da Holanda para as semifinais veio de forma dramática e inusitada contra a Costa Rica após disputa de pênaltis. Van Gaal colocou o goleiro Tim Krul no último minuto da prorrogação de olho nas penalidades. Deu certo. E a mudança foi aprovada por Krol.

– Eu achei interessante a troca de goleiros. Além de tudo, jogou uma pressão enorme nos costarriquenhos. Porque eles viram que o goleiro entrou em campo só para pegar pênaltis.



Bate-bola: Ruud Krol, ex-jogador e capitão da Holanda na Copa do Mundo de 1978

1- A Holanda bateu na trave três vezes em finais. Agora, no Brasil, a equipe está preparada para vencer o Mundial?

R: Jogar uma Copa do Mundo no Brasil é algo histórico. Jogar contra o Brasil na final seria o maior sonho. A diferença para outras épocas é que agora a responsabilidade e a pressão das outras equipes são maiores. Mas temos condições de vencer estes dois jogos, podemos ser campeões.

2- Qual é a sua análise sobre o jogo contra a Argentina?

R: Claro que acredito em uma vitória sobre a Argentina. Eles têm Messi, mas perderam Di María. Ele é um grande jogador, muito regular e isso deve atrapalhar o poder ofensivo da Argentina. Além disso, o ataque holandês é mais forte. Mas é preciso ter muita atenção, porque trata-se de um time muito bom.

3- Quem é o grande destaque desta seleção da Holanda?

R: Robben é o melhor jogador. Ele tem uma velocidade incrível, uma enorme regularidade. Mas Sneijder e Van Persie também são fantásticos.

4- Depois da Holanda de 1974, qual foi a maior evolução tática no futebol?

R: A seleção da década de 70 é inesquecível. Muitas pessoas falam sobre aquele time, lembram a forma de jogar. Foi uma grande surpresa para o mundo do futebol, porque ninguém esperava aquela novidade. Acho que a maior novidade no futebol após aquela época foi o Barcelona. E com estilo holandês. Virou base da seleção da Espanha, mas num trabalho que começou com Johan Cruyff. Como treinador, ele implementou uma filosofia de jogo que deu muitos frutos ao Barça.