icons.title signature.placeholder Bruno Grossi
28/11/2014
12:58

Rogério Ceni fica no São Paulo. Nesta sexta-feira, o goleiro-artilheiro se reuniu com o presidente Carlos Miguel Aidar e resolveu estender seu vínculo com o Tricolor até o dia 5 de agosto de 2015. O novo contrato pode ser renovado caso o time do Morumbi conquiste a Copa Libertadores da América e ganhe o direito de disputar o Mundial de Clubes em dezembro.

A notícia foi dada por Aidar de surpresa, poucos minutos após o encerramento da entrevista de lançamento da camisa especial pelos 24 anos de carreira de Ceni. A imprensa já estava deixando o CT da Barra Funda quando o mandatário apareceu na sala de coletiva e anunciou empolgado a renovação.

- Essa camisa que foi lançada certamente será usada por ele ainda muitas vezes. Acabamos de renovar com ele até 5 de agosto de 2015. Não foi difícil convencê-lo, ele é quem me convenceu. Falei quinta à noite que teria uma conversar pessoal hoje (sexta) depois do treino. A renovação demorou cinco minutos  Rogério quer ficar, eu quero, a torcida quer, o Muricy quer... Todos nós queríamos, então não havia razão para não ficar. A Libertadores acaba dia 4 de agosto e ele fica até o dia seguinte. Se o São paulo for campeão, aí conversaremos sobre estender o contrato até o fim do ano - anunciou Aidar.

Na temporada passada, Rogério também desistiu de se aposentar de última hora. A renovação foi anunciada somente às vésperas da última partida do ano. Em abril de 2014, o Mito já havia sacramentado que o adeus não passaria de dezembro, mas o bom ambiente do clube, a perspectiva de títulos e 2015 e os pedidos do técnico Muricy Ramalho mudaram a opinião do camisa 01.

A trajetória de um Mito

Nascido em Pato Branco (PR) no dia 22 de janeiro de 1973, Rogério Mücke Ceni iniciou a carreira amadora no futebol na cidade de Sinop, no interior do Mato Grosso. Antes de se aventurar como goleiro, Ceni era auxiliar de escritório no Banco do Brasil e atuava como volante. A vida debaixo das traves começou quando os dois primeiros goleiros do Sinop se machucaram e o futuro ídolo do São Paulo aceitou assumir a responsabilidade.

Ceni logo se mostrou vitorioso, faturando o Campeonato Mato-grossense de 1990, mesmo ano em que realizou testes no Tricolor. Aprovado nas peneiras por Gilberto Moraes, o goleiro chegou ao clube para fazer história em 7 de setembro de 1990. A profissionalização aconteceu três anos depois, quando foi reserva de Zetti nas conquistas da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes.

Também em 1993, estreou como profissional no dia 25 de junho, em vitória por 4 a 1 sobre o Tenerife no Torneio Santiago de Compostela, na Espanha. A competição foi a primeira conquistada por Rogério, que só assumiria a titularidade do São Paulo em 1996, quando Zetti deixou o Morumbi. Já no ano seguinte, Ceni fez história. Em 15 de fevereiro de 1997, o União São João levou, em Araras, o primeiro gol da carreira do Mito.

As primeiras grandes conquistas como titular aconteceram em 1998 e 2000, ambas no Campeonato Paulista. A primeira foi diante do Corinthians, enquanto a segunda, diante do Santos, foi carimbada com um golaço de falta na decisão. Já em 2001, faturou o Rio-São Paulo, mas acabou protagonizando polêmica sobre suposta oferta do Arsenal (ING). O então presidente Paulo Amaral o afastou por 28 dias como punição.

Rogério já possuía grande prestígio no São Paulo, mas estabeleceria seu nome de vez como o maior ídolo da história do clube a partir de 2005, com os troféus do Campeonato Paulista, da Libertadores e do Mundial. Na final contra o Liverpool (ING), teve a melhor atuação da carreira e foi eleito o craque da competição. De 2006 a 2008, capitaneou o Tricolor no histórico e inédito tricampeonato do Brasileirão.

Nos últimos anos, as conquistas foram mais escassas: apenas a Copa Sul-Americana de 2012. Os recordes pessoais, no entanto, tornaram-se frequentes. Ceni é recordista de jogos pelo São Paulo e no mundo com 1183 partidas. Também detém o maior número de gols marcados por um goleiro: 123, com o centésimo marcado em 2011 em clássico contra o Corinthians. O Mito ainda detém o maior número de jogos como capitão e de vitórias na história do futebol.

Na Seleção Brasileira, conquistou a Copa das Confederações de 1997 e a Copa do Mundo de 2002, ambas como reserva. Já em 2006, em sua segunda participação em Mundiais, pôde entrar em campo contra o Japão no último jogo da fase de grupos na Alemanha.