icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
14/11/2013
08:14

“O bom filho à casa torna”. Apesar de batido, esse ditado bem que poderia ser usado por Robert Scheidt. Após oito anos ausente, ele volta a disputar um Mundial na classe Laser, a partir de domingo, em Omã. Octacampeão da competição, ele sabe muito bem como ter sucesso no torneio. Afinal, em 14 disputas, além dos oito títulos, foram outros três pódios (dois vice-campeonatos e um terceiro lugar).

Após um período de muitas conquistas na Star ao lado de Bruno Prada, o iatista voltou ao barco que mais lhe rendeu títulos em setembro do ano passado. Como a antiga classe não faz mais parte dos Jogos Olímpicos e a principal meta é conquistar pelo menos uma medalha na Rio-2016, o retorno se tornou inevitável.

– Muita coisa mudou na Laser desde meu último Mundial, em 2005. Estava na minha melhor forma quando venci a competição. Hoje, sinto que ainda não cheguei ao que considero ideal, mas estou muito mais experiente, e quero usar isso a meu favor. São pouquíssimos os velejadores daquele tempo que continuam competindo na classe – disse.

Atual tricampeão mundial e ouro olímpico, o australiano Tom Slingsby, não vai disputar o torneio.

Scheidt não esconde a vontade de chegar ao nono título mundial. Mas em fase de readaptação, ele tenta não criar muitas expectativas. A grande briga do momento, aliás, é outra.

– O mais importante nesse retorno à classe é administrar as lesões, até porque estou em uma idade mais avançada em relação aos outros velejadores. Na Laser, a coluna e o joelho são mais exigidos, se desgastam mais. Tenho feito exercícios aeróbicos, além de musculação, mais para aumentar a resistência, e não para ganhar massa muscular como ocorria na Star – explicou o iatista.

Apesar de não fazer promessas, os resultados desde setembro mostram que sonhar com o título não é loucura. Entre competições nacionais e internacionais, já foram quatro medalhas de ouro e três pratas.

Realmente, a combinação Scheidt e a classe Laser é sinônimo de sucesso. Se em fase de readaptação os resultados já são positivos, imagine como será em 2016. Mas antes, que venha outro Mundial.

A competição
O Mundial vai ser disputado em Omã até o dia 23, com 14 regatas. Além de Scheidt, o Brasil tem Bruno Fontes e Matheus Dellagnelo.

SCHEIDT EM MUNDIAIS DA LASER:

8 Títulos
Tem Robert Scheidt em Mundiais da classe Laser. Ele conquistou o torneio pela primeira vez em 1995, na Espanha. Já o último triunfo foi em 2005, em Fortaleza (CE). Além disso, foi campeão em 1996, 1997, 2000, 2001, 2002 e 2004.

2 Pratas
Conseguiu levar o iatista na competição. Ele ficou com o vice-campeonato nas disputas de 1999 e 2003.

1 Bronze
Obteve o brasileiro no Mundial. Ele ficou com o terceiro lugar em 1993, na Nova Zelândia. Foi a primeira medalha dele na história da competição.

3 ‘Tropeços’
Teve Robert Scheidt no Mundial da Laser. O iatista ficou na 49 posição em sua estreia, em 1990, em Newport (EUA). Ele ainda foi 20 em 1991, na Grécia, e sexto em 1994, no Japão.

SCHEIDT LONGE DA LASER:

7 anos
Afastado da classe Laser ficou Robert Scheidt. Após conquistar o Mundial em 2005, ele decidiu competir na Star a partir da temporada seguinte. O retorno ocorreu em setembro do ano passado.

3 Mundiais
Conquistou o brasileiro na nova classe. Ao lado de Bruno Prada, levou o título em 2007, 2011 e 2012. Eles foram prata em 2008.

2 Olimpíadas
Disputou Robert Scheidt na Star. Ele ficou com a medalha de prata em Pequim (CHN), em 2008, e ficou com o bronze em Londres (ING), no ano passado. As conquistas foram com Bruno Prada.

CONFIRA UM BATE-BOLA EXCLUSIVO COM ROBERT SCHEIDT:

LANCE!Net: Além das lesões, quais as outras dificuldades no retorno à Laser?
Robert Scheidt: Precisei me readaptar a velejar sozinho. A Laser é muito solitária. Você é quem tem de tomar todas as decisões sobre manobras e estratégias, e não tem com quem conversar e trocar ideias nos treinos. Sempre que posso, convido outros velejadores para treinar comigo.

L!Net: Qual o objetivo no Mundial? Quem são os principais rivais?
RS: Claro que vou dar meu melhor e brigar pelo pódio, mas não há pressão por resultados. Os adversários mais fortes serão o croata (Tonci Stipanovic), o australiano (Tom Burton, número 1 do mundo), o inglês (Nick Thompson), o sueco (Jesper Stalheim) e o holandês (Rutger Schaardenburg), além do brasileiro Bruno Fontes.

L!Net: Qual o segredo para tanto sucesso na classe Laser? E o que você pensa para depois da Olimpíada?
RS: Estou motivado para treinar, além de lutar por títulos. Isto é fundamental. Ainda estou com fome! Tracei como objetivo deixar a vela olímpica após os Jogos do Rio e continuar velejando em classes de barcos que exijam menos do corpo e mais da cabeça. Mas não estou pensando em aposentadoria agora.