icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
01/11/2013
08:40

O futebol mundial passou por um amplo processo de profissionalização nos últimos vinte anos, especialmente na Europa. Os clubes perceberam que para competir em um mercado em franca expansão era necessário investir não apenas em times competitivos, mas também em profissionais para sua operação.

O desenvolvimento dos negócios em torno de um clube de futebol passa obrigatoriamente pelo investimento em profissionais remunerados para diferentes áreas de sua administração. Com essa visão os clubes produzem mais receitas e podem manter um investimento pesado em times cada vez mais competitivos.

No Brasil, infelizmente, essa visão é rechaçada por grande parte dos clubes, que enxergam os salários fora do departamento de futebol como custo, fazendo com que o negócio não prospere. Isso resulta em entidades reféns de poucas fontes de receitas, com finanças descontroladas, com um péssimo atendimento ao torcedor, patrocinadores e parceiros.

Um bom exemplo para o mercado brasileiro é o Barcelona, um dos clubes que mais cresceram em receitas no futebol mundial na última década. O clube catalão tem uma estrutura jurídica similar aos nossos clubes, já que não é uma empresa, sendo seu presidente eleito pelos sócios, bem como seus vice-presidentes, sem direito a salários.

Entretanto, o corpo gerencial e administrativo do clube é formado por profissionais remunerados em diferentes áreas, sendo essa uma das principais razões para o desenvolvimento de seus negócios.

Em 2003, quando iniciou um processo de reestruturação, os salários não esportivos (para a administração do clube) eram de 13 milhões de euros. Poucos anos depois o valor atingiu 20 milhões de euros, uma evolução de 54%. No mesmo período as receitas passaram de 123 milhões de euros para 290 milhões de euros, uma evolução de 136%.

Atualmente os salários não esportivos são de 26 milhões de euros, uma evolução de 100% em relação a 2003. No mesmo período as receitas evoluíram em 296%. Os salários esportivos nesse período foram ampliados em 86%, passando de 109 milhões de euros para 204 milhões de euros.

Em 2003 os salários não esportivos representavam 10% das receitas do clube, participação que atualmente é de 5%, o que comprova sua eficiência. Quanto menos trabalho voluntário, maior será o retorno para os clubes. Assim, está claro que o investimento na área de administração de um clube é tão importante quanto a contratação de atletas de ponta.

Isso porque mais profissionais qualificados gerindo os clubes, produzirão mais recursos para que as entidades possam investir em seus projetos esportivos.

Essa é uma realidade que precisaremos criar no futebol brasileiro.


Evolução do salário não esportivo do Barcelona, em milhões  de euros.