icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes, Maurício Oliveira e Thiago Salata
12/06/2014
07:10

Luiz Felipe Scolari, 65 anos, 14 jogos jogos em Copas do Mundo: 11 vitórias, um empate, duas derrotas, um título com o Brasil, em 2002, e um quarto lugar com Portugal, em 2006.

Como um chefe de estado, Felipão abriu a última entrevista antes da estreia de hoje, ao lado do seu camisa 10, Neymar, com uma convocação a torcedores e até a políticos.

– Chegou a hora! Vamos todos juntos, é o nosso Mundial – disse.

Poucos técnicos teriam força para dividir holofotes e o “tiroteio” de cliques dos fotógrafos com Neymar ao lado. Felipão não só tem, como fez o craque praticamente fazer uma declaração de amor ao comandante antes de pisar no gramado.

– Já trabalhei com alguns treinadores de muita qualidade. Agradeço a Deus por ter a honra de estar todo dia ao lado do Felipão. Desde pequeninho o acompanho no Palmeiras, na Seleção. Tento sugar o máximo da experiência. Espero puxar o lado vencedor dele – afirmou.

Felipão reestreou em fevereiro de 2013 e levou só três meses para definir seus 11 titulares. Os mesmissímos 11 que venceram a Copa das Confederações em 2013 estarão em campo nesta quinta, contra a Croácia.

Scolari sempre bancou Fred, às vezes contestado. Bancou Julio Cesar. Dois líderes do grupo. Banca Oscar, questionado pelas últimas atuações ruins. Protege o meia, chama para si as decisões. Definiu seu esquema 4-2-3-1 e assim conquistou a confiança do time.

O relato de quase todos os atletas é de que ver um treinador com tanta bagagem em Copas, num grupo com 17 novatos em Mundiais, aumenta muito a confiança. Dizem ver franqueza no chefe.

No dia 26 de maio, já na Granja Comary, Felipão recebeu 22 jogadores, um a um, com abraço fraterno na porta da concentração. O 23 chegou dias depois: Marcelo, liberado para festejar um título com o Real Madrid. Conquistou o lateral.

Felipão se ateve aos detalhes. Não criou atrito com a imprensa na preparação, atendeu patrocinadores na medida do possível. Deu broncas no time. Tudo pensado. Em 2002, funcionou. E em 2014?

BATE-BOLA Luiz Felipe Scolari Técnico da Seleção

‘Sou uma mistura de tudo isso: pai, tio, amigo... Sempre fui assim’

Neymar disse que espera ser ‘mais um’, desde que seja campeão. O que você espera dele?
Eu espero que o Neymar seja mais um. Conhecendo ele como eu conheço, sei que está passando essa mensagem de coração. Mas sendo o craque que é, sempre vai fazer a diferença. Sendo o que é, ele faz a diferença. Ele sabe disso, é assim que tratamos todos os nossos jogadores na Seleção.

Quem será o craque da Copa?
O craque será o campeão (apontando para Neymar, ao seu lado), pois não adianta ser craque se não for campeão. Só há um objetivo em todas as equipes: ser campeão do mundo.

Você perdeu um cunhado e um sobrinho durante a preparação. Como encontrar forças?
A vida segue. Faz-se aquilo que temos de fazer e seguir em frente. Eu encontro forças no trabalho do pessoal, no ambiente, olhando eles trabalhando. Eles trabalham até quando não estamos no meio. Isso tudo faz com que a gente, mesmo com tristeza, deixe de lado, e olhe a beleza de tudo. Seguimos em frente.

O que mudou 12 anos depois da conquista do pentacampeonato?
Eu tento ser o treinador que sempre fui. Sempre fui dessa forma, nunca fiz diferente em nenhum lugar, nem time grande e nem pequeno. Segui lições com excelentes técnicos. Acho que sou uma mistura de tudo isso: pai, tio, amigo. Aquela pessoa que tem de falar mais alto às vezes, sou um técnico que tem liderança, que comanda, estuda, define. Que toma decisões.

Kleberson
Meia no penta com Felipão

"O Felipão trabalhava com muitos vídeos, tivemos reuniões de como a Turquia (rival da estreia) jogava. Como qualquer estreia tem a ansiedade e o Felipão trabalhou isso. Ele é um cara que cobra, que motiva e ele trabalhou isso. Nós fomos para a Copa com desconfiança com os jogadores e durante a competição a gente demonstrou potencial. Agora a Seleção chega definida. Talvez sem tanta experiência como em 2002."