icons.title signature.placeholder Marcio Porto
26/07/2014
07:02

A volta de Kaká fará novamente a alegria de milhares de fãs, principalmente entre o público feminino. As goianas serão as primeiras privilegiadas, já que a reestreia será neste domingo, no Serra Dourada, contra o Goiás. O jogo e a presença do craque trarão também um pouco de ânimo a Débora Braz dos Santos. Ela será uma das “kakazetes” que vão recepcionar o meia em seu reencontro com o futebol brasileiro. Mas a histeria virá em tom de conforto espiritual.

São-paulina desde o início deste século, período que coincide com a aparição de Kaká no time, Débora ainda chora a perda do responsável por uni-la de fato ao São Paulo do meia. Ela escapou ilesa de um trágico acidente automobilístico em janeiro deste ano. Mas seu marido, “tricolor roxo”, não teve a mesma sorte. Faleceu em março, após passar três meses em coma. Foi sepultado com a camisa do clube.

– Sempre imaginávamos juntos o dia em que o Kaká voltaria ao São Paulo. Ele era apaixonado por futebol, pelo time. Infelizmente, esse momento chegou sem ele. Mas vai ser um dia de alegria – afirmou Débora, em visita ao Serra, a convite do LANCE!Net.

Depois da tragédia, Débora vem buscando meios de encontrar um pouco de alegria para nocautear o destino que a vida lhe reservou. Um destes momentos, segundo ela, é ver o ídolo de sua infância, que o fez começar a gostar de futebol, de esporte.

– Eu era muito nova quando o Kaká surgiu e me encantei por ele, confesso, não pelo São Paulo. Passei a torcer pelo São Paulo por ele. Era Kaká Futebol Clube. E agora ter a chance de vê-lo me faz bem – afirma.

Quando Kaká explodiu pelo São Paulo em 2001, Débora, hoje com 24, tinha 11 anos. Acompanhou a frenesi das fãs em cima do meia na esperança de um dia ter a mesma sorte. Em sua maioria adolescente, o público da época fazia das loucuras mais variadas no contato com o ídolo.

Com Kaká de volta, a delegação do São Paulo acredita que a passagem por Goiânia será muito mais movimentada do que de costume O time chegará hoje, às 19h, ao hotel onde ficarão concentrados e muitas fãs são aguardadas.

Uma delas será Débora.

– Trabalho com turismo, então vou ver se consigo dar um jeito de entrar no hotel para ter contato com ele. É um sonho, então acho que vale – diz ela, um pouco constrangida.

Vale, sim, Débora!

 Ex-marido de Débora com a camisa com a qual foi enterrado (Arquivo pessoal)

O ACIDENTE

2/1/2014
Débora, seu marido, Victor Alexssander, a irmã e mãe dele voltavam do Mato Grosso após as comemorações de fim de ano. Na saída da cidade de Primavera do Leste, Victor perdeu o controle do veículo ao passar por um buraco e capotou. Desacordado, nem sequer falava. As demais tiveram ferimentos leves.
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18/3/2014
Após três meses em coma, Victor morre, aos 25 anos. Débora reclama da demora pelo atendimento. No dia do acidente, família teve de levar o rapaz para Goiânia em um avião. Não foi suficiente.

ASSESSOR DE IMPRENSA DO SÃO PAULO, JUCA PACHECO RELEMBRA A HISTERIA SOBRE KAKÁ

"A partir daquela final do Rio-São Paulo, o moleque virou notícia, a novidade do esporte, pela nova personalidade. Era bonitinho, educado. Chamou atenção de todas as mídias possíveis, todos seguimentos. Eu tinha que me deparar com pedidos da Veja, da Capricho...

Havia todo o assédio da molecada mais nova que ele, aquele ambiente de adolescente. Tinha uma mulherada pirada.

Muitas das cartas que ele recebia vinha para a gente também. Havia uma disputa de cartas, qual era maior. Tinha carta do tamanho do campo, com milhões de “eu te amo!”.

Agora a gente tem uma demanda de entrevista grande em âmbito nacional porque ele estava fora. Muitos seguimentos.

E a presença na porta do CT talvez tenha aumentado um pouco. Mas hoje as Kakazetes estão com 32, 35 anos..."