icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
26/06/2014
12:03

Americanos e alemães fizeram questão de afastar qualquer chance de marmelada no jogo desta quinta, às 13h, na Arena Pernambuco, em Recife. Embora um empate classifique as equipes no Grupo G da Copa do Mundo, a promessa de ambos os lados é buscar a vitória. Nem por isso seis membros da delegação dos Estados Unidos deixarão de cantar o hino adversário antes da bola rolar. Apesar de os holofotes estarem voltados para o técnico Jurgen Klinsmann, outros cinco “alemães” estarão do lado rival: o zagueiro Brooks, os laterais-direitos Johnson e Chandler, o volante Jones e o atacante Green.

Todos eles são filhos de mães alemãs e pais americanos e pouco viveram na América. Green, que atua na base do Bayern de Munique, migrou para a Europa aos 2 anos, e Jones, do Besiktas, passou poucos anos da infância no país. Os outros, nem isso...

Com dupla cidadania, eles carregaram por anos a dúvida sobre qual pátria defender. Brooks, hoje no Hertha Berlim, atuou nos times sub-20 e sub-23 dos Estados Unidos, mas em 2012 vestiu a camisa da Alemanha sub-20. Só no ano passado ele se decidiu pelo lado americano. Green também alternou entre as equipes na base, e só se decidiu em março deste ano. Já Johnson, do Hoffenheim, jogou pela seleção alemã durante toda a adolescência, mas, em 2011, se profissionalizou pelos Estados Unidos. Jones fez o mesmo um ano antes. O único a não estar do lado europeu é Chandler, do Eintracht Frankfurt.

Jones marcou no último jogo, contra Portugal (Foto: AFP)

Para o duelo decisivo em Recife, porém, nada de coração dividido: a meta é defender a bandeira com listras e estrelas e avançar às oitavas.

– Estamos felizes e ansiosos. É um dos maiores jogos das das nossas vidas – afirmou Johnson, em coletiva.

Apesar de jogadores e técnicos rechaçarem uma combinação de resultados, o tema cerca o confronto. Ainda mais porque ontem o “Jogo da Vergonha” completou 32 anos. Na Copa de 1982, a Alemanha bateu a Áustria por 1 a 0, em partida “preguiçosa”, e que classificou ambos os times. Que alemães, estadunidenses e germano-americanos escrevam uma história mais bonita desta vez!

Conquistado por camisa, Green vira colunista

Além das muitas conversas com o técnico Jurgen Klinsmann, um fator inusitado pesou na escolha de Julian Green pelos Estados Unidos e não pela Alemanha: uma camisa com seu nome, entregue pelo capitão e destaque americano Dempsey.

O presente foi dado no período de treinos dos EUA, em março, quando Green decidiu defender a seleção americana. Isso ocorreu justamente em Frankfurt, na Alemanha.

Questionado pelo LANCE!Net sobre a escolha e a opinião da família dele, o atacante do Bayern afirmou:

– A decisão foi muito difícil. Tive uma conversa com Klinsmann e o grupo me recebeu muito bem, foram acolhedores. Eles demonstraram muita confiança em mim, e o presente do Dempsey foi bem legal. Minha mãe, que é alemã, nunca influenciou na decisão, apenas disse que eu deveria seguir o meu coração – afirmou.

Green, que se descreve com um atacante rápido, que chuta com a duas pernas e gosta do mano-a-mano, ainda não estreou nesta Copa, mas está sendo destaque fora dos gramados. Ele foi convidado pelo jornal alemão Bild a escrever uma coluna, e tem relatado a experiência no Mundial.