icons.title signature.placeholder Caio Carrieri - Especial para o LANCE!Net
27/02/2015
10:30

Lampard recebe no meio de campo, percebe Ramires entrando como um raio no meio da defesa do Barcelona e lança o meia. Diante de Valdés, com um belo toque por cobertura, o brasileiro faz um golaço, cala o Camp Nou e ajuda o Chelsea a garantir vaga na final da Liga dos Campeões contra o Bayern, em Munique. O título veio coroar um grupo fantástico, e um momento mágico. Até hoje Ramires ainda "não acredita" no que fez dentro da Catalunha, no jogo que terminou 2 a 2. 


BATE-BOLA:

LNet!: Não fosse pelo seu golaço contra o Barça na semi em 2012, talvez o Chelsea não seria o único clube de Londres a ter o título da Champions...

Ramires: A ficha não cai, porque estou sempre jogando. Quando fomos campeões e eu voltei para o Brasil, meu sogro falou para mim. “Vocês não têm noção do que vocês fizeram, só depois que vocês se aposentarem e começarem a receber homenagens é que vão ter noção do feito de vocês”. É um título que ninguém em Londres tem, foi o primeiro do Chelsea, então fizemos muita história. Ainda hoje os torcedores, tanto os mais velhos quanto os molequinhos vêm e falam “Aquele gol contra o Barcelona!”. Às vezes nem falam do título, só do gol contra o Barcelona, que naquela época indiscutivelmente era o melhor time do mundo. E ainda o título foi contra o Bayern dentro da casa deles, e eles foram campeões no ano seguinte.

LNet!: Ao que parece você, que infelizmente não tem relação com seu pai, é muito próximo do seu sogro.

Ramires: Eu tenho um ótimo relacionamento com ele desde quando eu jogava no Joinville. Ele gosta muito de futebol e sempre me ajudou, me deu toques, acompanhou toda a minha carreira até agora. É a voz da experiência. Quando ganhamos a Champions, ele soltou fogos no Brasil, fez uma baita festa na rua. Sou casado com a filha dele, mas ele me tem como um filho. Ele é doente pelo Joinville e eu também, porque, além de ter sido o clube que me abriu as portas, sou muito amigo do presidente, o Nereu (Martinelli). Isso não é de agora, vem desde a ajuda que recebi nos tempos da base.

LNet!: O que representa para você aquela noite mágica no Camp Nou?

Ramires: Na concentração antes de um jogo eu coloco para assistir e penso “Meu Deus, que loucura!”, porque estávamos perdendo o jogo de 2 a 0, com toda aquela tensão do jogo, com quase 90 mil pessoas e eu dei aquela cavada por cima do Valdes. Quando vejo o vídeo, parece que não vai acontecer, que não vamos empatar, me sinto como se estivesse vendo o jogo ao vivo.

Ramires comemora após marcar um golaço no Camp Nou (Foto: Josep Lago/AFP)

LNet!: O que você guardou daquele jogo?

Ramires: Tenho a minha camisa autografada pelos jogadores, fiz um quadro e está na minha casa no Brasil, em Joinville. Aquela lá é uma relíquia. Tenho o hábito de guardar a camisa de jogos importantes. Tenho da minha primeira convocação para a Seleção, da Copa das Confederações, da Olimpíada, uma do Cruzeiro que fiz dois gols na Libertadores, quando comecei em Joinville...

LNet!: Mas não deu para jogar na final...

Ramires: Nós levamos o segundo gol do Barcelona, discutimos com um juiz por estar com um a menos, levei o amarelo e fiquei fora da decisão. Espero que seja diferente, mas não sei. Às vezes numa semifinal tenho que tomar o cartão vermelho para ajudar a equipe. Espero que não aconteça se o Chelsea chegar à final de novo.