icons.title signature.placeholder Caio Carrieri
14/06/2014
08:05

"Passará o Mundial, outra Copa América, e seguirei lendo e jogando futebol. Não sei que livros nem onde estarei jogando, se em uma equipe ou com amigos, mas seguirei fazendo como fiz sempre. Com a mesma vontade e o mesmo amor".

As linhas acima foram escritas por Diego Lugano, 33 anos, capitão visceral do Uruguai que abre o Grupo D às 16h deste sábado contra a Costa Rica, no Castelão, em Fortaleza (CE). Palavras redigidas de próprio punho às vésperas da Copa. Da mesma maneira que amarra as chuteiras com as veias toda vez que veste a camisa celeste, o líder de Oscar Tabárez se dedicou de corpo e alma para incentivar a literatura infanto-juvenil de seu país.

O trecho faz parte do prólogo que o zagueiro elaborou para o livro "Mi Mundial 2", de Daniel Baldi, grande amigo de Lugano e ex-companheiro dele no Plaza Colônia (URU), clube que defendeu um ano antes de se transferir e se tornar ídolo do São Paulo.

A história fictícia narra como um jovem tenta realizar o sonho de ser jogador de futebol após um acidente. A intenção é conscientizar os jovens leitores da importância de cultivar o apreço pelos estudos ao longo da vida. A obra é continuação do volume publicado por Baldi e sucesso de vendas no Uruguai antes da Copa na África do Sul, cujo prefácio também foi do defensor.

- Não foi simples para Diego escrever os prólogos, mas tenho de reconhcer que ele fez um trabalho maravilhoso. Estão muito bons! No primeiro livro, ele recebeu a minha ajuda. Demorou cerca de uma semana, tivemos de trocar alguns e-mails e fiz algumas correções. No segundo ele já melhorou muito a escrita, o que me deixou muito contente - contou Daniel, em entrevista ao LANCE!Net, sobre o trabalho que irá para o cinema em 2016, com o apoio da Associação Uruguaia de Futebol, e pode ter atuação de Lugano.

Baldi em destaque e Lugano posicionado à direita, nos tempos de Plaza Colonia (Foto: Arquivo Pessoal)

Atual técnico da base do Montevidéu Wanderers, o ex-atacante e autor de 11 livros, já foi influenciado nos estudos por Lugano.

- Quando ele veio jogar no Plaza Colonia, também ainda não tinha terminado o colégio assim como eu. Um dia estávamos conversando sobre o assunto e ele me disse: "Para mim falta o último ano do secundário. Que tal fazermos juntos esse ano?". Ele me encorajou, e a experiência foi muito linda - completou.

Jogai pela Celeste, Lugano. E pelos pequenos leitores!


BATE-BOLA
Daniel Baldi

Como surgiu a estreita relação com Lugano?
Sempre fomos muito companheiros fora dos campos, porque temos uma visão muito similar do futebol, que é muito lindo. Também temos as mesmas visões dos empresários de futebol e muitas vezes não gostamos de algumas que eles fazem. Por termos essas ideias parecidas, conversamos muitas horas sobre esses assuntos e estreitamos os nossos laços.

Como mantiveram a amizade mesmo com o futebol os distanciando?
O ano de 2002 marcou a todos nós na carreira, porque o Plaza Colonia é uma equipe muito humilde e estreou na Primeira Divisão. Era uma equipe de poucos jogadores e a nossa relação ficou forte. Graças ao Plaza e ao grupo unido tivemos momentos maravilhosos, eu fui para o Cruz Azul (MEX) e ele para o São Paulo. Aí em 2012 até fizemos uma partida de comemoração.

Por que você e ele demoraram para terminar os estudos?
Eu fui muito bem no futebol desde cedo, fui para a Arábia Saudita com 17 anos e não tinha conseguido concluir. Diego também teve de interromper porque quando começou a jogar ele levava horas para ir de Canelones para Montevideu treinar no Nacional. Então voltamos a estudar, eu com 19 anos, e ele com 20.

Qual a maior virtude do profissional Lugano?
A grande virtude é que ele sempre foi consicente das suas limitações no futebol. Coração e garra foram as armas que ele usou para chegar aonde chegou. Ele não imaginava que seria campeão do mundo com o São Paulo. Com sacrifício se alcança muita coisa na vida e no futebol também.

Acredita que ele pode escrever um capítulo de campeão no Brasil?
Não quero me adiantar, seria muito desrespeitoso da minha parte. Ninguém exige que o Uruguai seja campeão. Todo mundo irá agradecer se eles passarem de fase, ainda mais se mantiverem de novo entre os quatro primeiros. Seria um motivo de grande orgulho para todo o país. Dieog disse que esperam fazer um grande Mundial, mas há uma sequência muito difícil.

Como ele lida com a tarefa de ser capitão?
É uma grande responsabilidade e tem uma grande despedida no Brasil. Nesse Mundial termina esse processo, porque ele não vai chegar como capitão ao próximo. Ele quer fazer uma grande exibição em nível individual e coletivo.

Os livros

Lançado em 2010 e líder de vendas até o ano seguinte na categoria infanto-juvenil, conta a história de jovem uruguaio (Tito) que alimenta o sonho de virar jogador profissional, mas tem o desejo interrompido.


Publicado em maio, relata a recuperação de Tito graças ao apoio da namorada e aos estudos. No entanto, a companheira vai para o México, e ele tenta reecontrá-lo por meio de um clube mexicano.