icons.title signature.placeholder VINÍCIUS PERAZZINI
16/06/2014
14:20

Recife vive a alegria de receber uma Copa do Mundo, mas nem todos estão felizes na cidade. Há um mês, cerca de 100 pessoas ocupam o Cais José Estelita, um dos cartões-postais da capital pernambucana, para tentar impedir a demolição do local e a construção de 13 prédios. O grupo também é contra o Mundial e decidiu criar uma espécie de 'Fan Fest às avessas'. Enquanto a festa oficial da Fifa transmite os jogos em telões, os manifestantes de Estelita oferecem diariamente oficinas culturais, aulas públicas e shows com ritmos populares, ignorando as partidas.

A 'anti-Fifa Fan Fest' tem chamado a atenção até mesmo de alguns turistas estrangeiros, que têm feito visitas ao acampamento. Nesta segunda-feira, o LANCE!Net foi ao José Estelita e uma das ocupantes do cais, Luísa Nóbrega, explicou a intenção do grupo.

- O projeto para a construção dos prédios foi aprovado às escuras e assim que vieram demolir os galpões, nós ocupamos. As torres causarão um impacto visual e ambiental muito grande, a ventilação da cidade ficará prejudicada. Estamos aqui para negociar com eles (o Consórcio Novo Recife, formado pelas construtoras Moura Dubeux, Queiroz Galvão, G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos), mas não há comunicação. Agora, com a Copa, queremos mostrar um mundo além do futebol e estamos oferecendo atrações culturais diárias para ter ainda mais o apoio popular - disse Luísa Nóbrega.


Acampamento se encontra instalado há um mês no cais (Foto: Vinícius Perazzini)

Os manifestantes de Estelita contam com apoios de peso. Artistas como Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Leandra Leal e Letícia Sabatela já expressaram solidariedade à causa em redes sociais. De acordo com a ocupante Luísa Nóbrega, o grupo está disposto a seguir no local até que saia vencedor.

- Pretendemos ficar até conseguir um resultado positivo e estamos dispostos a não permitir que o projeto dos prédios seja efetivado. Queremos que este espaço seja da cidade. Como se fosse comparar, é o Central Park de Recife. É um absurdo que o cais seja privatizado - destacou Luísa.