icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso e Rafael Valesi
30/12/2013
08:03

Um caso arquivado. É dessa maneira que terminou o processo e a investigação sobre a morte do cadeirante Israel Cruz, na última edição da Corrida de São Silvestre, no dia 31 de dezembro do ano passado, em São Paulo. Quase um ano após o ocorrido e na véspera de mais uma disputa – a 89ª da história – tudo ficou no passado.

O atleta se acidentou na descida da Rua Major Natanael ao chocar-se contra o muro do Estádio do Pacaembu no início da prova. Foi levado vivo ao hospital, onde morreu.

O caso foi investigado como homicídio culposo (sem a intenção de matar) pela 23ª Delegacia de Polícia, localizada no bairro de Perdizes. Foram ouvidos árbitros e organizadores da São Silvestre, outros atletas e dirigentes. Além disso, uma perícia foi feita no local e na cadeira usada por Cruz na disputa da prova.

Nada foi constatado e a conclusão foi de que o acidente teria sido uma fatalidade. O processo foi encaminhado para a 31 Vara Criminal em junho, quando terminou arquivado.

– Houve uma melhora. Mas acho que a morte dele não serviu como um grande marco. Não aconteceu o que a gente temia, que era abolirem a categoria cadeirante. Mas esperava um reflexo mais positivo, uma repercussão melhor. A Yescom (promotora da São Silvestre), por ter sido afetada, melhorou. Mas a profissionalização dos atletas ajudaria. É um contexto maior, uma condição de viver só do esporte. Não repercutiu como gostaríamos – disse ao LANCE!Net Eduardo Leonel, técnico da Associação Desportiva para Deficientes (ADD).

Cruz estava com 41 anos e morava em Ananindeua, na região metropolitana de Belém (PA), com a esposa, um filho, uma filha e duas netas. Ele teve a perna esquerda amputada em 1985 após um acidente e sonhava em disputar uma Paralimpíada.

Apesar da tragédia, o percurso da prova não mudou. A largada dos cadeirantes acontece às 6h50 de terça-feira. Em seguida, largam os atletas com deficiência. A prova da elite feminina tem início às 8h40 e a masculina, às 9h (horários de Brasília).

Cadeirantes agora têm congresso técnico

Apesar de o percurso da Corrida de São Silvestre não ter sofrido alterações após a morte de Israel Cruz, a organização promoveu algumas mudanças no regulamento para os cadeirantes. A partir deste ano, os atletas da categoria precisam participar de um congresso técnico antes da disputa, além de apresentarem atestado médico.

– A Yescom tem feito algumas coisas que solicitamos. Agora, haverá um congresso técnico exclusivo da categoria, e será solicitado atestado médico para o atleta dizendo se está apto. Isso evita aventureiros. O congresso é muito importante e dá oportunidade de solicitarmos coisas, como sinalização com fardo de feno – disse Eduardo Leonel, técnico da Associação Desportiva para Deficientes (ADD).

Segundo Leonel, os organizadores de outras provas passaram a mostrar preocupação maior.

– Está sendo gradativo. Na Meia Maratona do Rio e na Maratona de São Paulo foi exigido a presença do atleta ou um representante, se não participassem teoricamente estaria desclassificado – afirmou.

A reportagem tentou contato com a organização da São Silvestre por meio da assessoria de imprensa, mas não teve respostas sobre quem poderia falar sobre a prova.