icons.title signature.placeholder Thiago Ferri
29/04/2014
07:07

A decepção pela saída de Alan Kardec rumo ao São Paulo já fez palmeirenses criticarem a postura do jogador, que treinou pela última vez no Verdão quinta-feira, antes de ir para Barra Mansa (RJ). Depois da desgastante negociação para tentar renovar, o pai e agente do jogador, de mesmo nome que o camisa 14, não teme que o centroavante saia com a fama de mercenário.

- Chegamos a ter proposta de R$ 350 mil na mesa, de clube grande, e se pedíssemos mais, eles pagavam. Mas negamos, porque estávamos dando preferência ao Palmeiras ainda, sabendo que não iria chegar neste valor. Que mercenário tem este tipo de conduta? Ele (Kardec) gosta do clube, gosta das pessoas, de tudo, não tem como colocar rótulo de mercenário em um cara destes - afirmou Alan Kardec pai.

Até a recusa ao Verdão é um argumento do agente para defender seu filho. As partes chegaram a uma diferença de R$ 5 mil nos salários, antes de o estafe do jogador ouvir outras propostas. O presidente Paulo Nobre, diante da dificuldade de falar com Kardec e seu pai, foi até o Rio de Janeiro no sábado para se reunir com a dupla e tentar uma última cartada, mas o acordo com o São Paulo já estava apalavrado. 

- Quando ouvi uma proposta que gostei, falei: pode ir ver com o Benfica (detentor dos direitos do jogador). Aí me questionaram como fariam, se acertassem com eles e depois o Palmeiras fosse cubrir. Disse que estavam lidando com homem, e se toparem o valor, comigo estava fechado no número que ofertaram. (O Nobre) Falou que cobria qualquer coisa, e se eu quebro a palavra com quem me fez a proposta (São Paulo), se volto atrás, ali seria mercenário, e provamos que não somos - reforçou.

Negando-se a dizer que o filho saiu do ostracismo no Verdão, o pai de Kardec não teme que o atacante deixe a Academia de Futebol como um vilão. De acordo com ele, o atleta não fez "nada para merecer o rótulo".

- Eu tenho a preocupação de que não saibam exatamente o que aconteceu. A primeira proposta deles foi de R$ 150 mil, e ficamos em um ping pong. Julgava que o Palmeiras tinha vontade de renovar, assim como nós, e sempre falei que ia fechar, apesar de já ter levado bofetadas, mas para ficar, estávamos até engolindo sapos - criticou.

Durante o anúncio da saída do jogador, Nobre já cravou seu acerto com o São Paulo, que acertou salários com os representantes de Kardec na última semana. Ainda sem anunciar o acordo com o Tricolor, o agente do centroavante não vê uma atitude antiética do clube do Morumbi.

- Quem foi na mídia e disse que estava ouvindo propostas, era eu. Só procuraram depois que deixei isto claro. Era para o Palmeiras entender que estava me cansando da negociação, de arrastar isto. Quando dei a declaração era para ter este entedimento - completou Kardec, que não conseguiu o feito, e agora levará o filho para um dos principais rivais do clube pelo qual o camisa 14 atuou por quase um ano e ainda teria mais dois meses de contrato.