icons.title signature.placeholder Felipe Bolguese
15/03/2014
12:00

Tarcísio Baselli Diniz, de 23 anos, diretor de caravana da uniformizada Pavilhão 9, é um dos presos pela invasão ao CT do Corinthians, no dia 1 de fevereiro. No depoimento prestado por ele no dia 20 de fevereiro, ao qual o LANCE!Net teve acesso, o torcedor afirmou que “estava em casa e não participou da invasão” e que “assistiu a algumas filmagens da invasão pela televisão e não reconheceu nenhum dos invasores”.

Ao lado de Tiago Aurelio dos Santos Ferreira, Gabriel Monteiro de Campos e Fernando Wilson de Carvalho, Tarcísio foi denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no início desta semana em três artigos do Código Penal: 288 (formação de quadrilha), 146 (constrangimento ilegal) e 163 (crime de dano). As defesas dos réus devem apresentar provas e testemunhas até a próxima quinta-feira. No texto da denúncia, Tarcísio é acusado de, "juntamente com os comparsas, incentivar o tumulto" no episódio da invasão.

Nos depoimentos de Gabriel e Tiago Aurelio, outros torcedores que estão presos, há versões que não batem com depoimentos de outras testemunhas. Gabriel, membro da Camisa 12, "alega que não correu atrás dos jogadores, somente foi até o local para protestar, nega ter ameaçado ou subtraído pertences do Centro de Treinamento, nega ter proferido qualquer ameaça a jogadores ou funcionários do Corinthians. O Gaeco afirma que ele tem registro de envolvimentos anteriores em outros autos de vandalismo e invasão a campos de futebol, que era dos mais agressivos no dia da invasão e, aparentemente drogado, incitava os demais invasores à prática dos crimes.

A versão de Tiago Aurelio, membro da Pavilhão 9, que esteve preso em Oruro (BOL) de fevereiro a junho do ano passado, também tem lacunas. O próprio afirmou que chegou ao CT por volta de 8h30 e que, posteriormente, teve a entrada liberada pelo portão da frente. Em depoimentos, testemunhas relataram que Tiago Aurelio era um dos mais agressivos e que chegou a vomitar no local, devido ao estado de embriaguez.

Até o início da semana, Fernando Wilson de Carvalho ainda estava foragido. Membro da Gaviões da Fiel, o Suíça, como é conhecido, só se apresentaria em juízo após a existência do processo, que corre na 17ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda desde a última segunda.

No dia 20 de fevereiro, data em que foi deflagrada a "Operação Hooligans", o torcedor Anderson Cavalcanti da Silva também prestou depoimento. Ele havia recebido um mandado de prisão, revogado posteriormente pela Justiça depois que o mesmo comprovou que estava trabalhando no dia e hora da invasão ao CT.

O CASO

No dia 1º de fevereiro, um sábado, quando o elenco treinaria pela manhã, mais de cem torcedores invadiram o CT Joaquim Grava, ameaçaram jogadores, agrediram funcionários, furtaram três celulares, danificaram carros e o próprio CT. O presidente Mário Gobbi Filho afirmou que o atacante peruano Paolo Guerrero chegou a ser "esganado", fato desmentido pelo próprio.