icons.title signature.placeholder Leo Burlá
26/07/2014
07:05

O semblante sereno e a fala pausada não sugerem que Jaime Byrom, presidente da Match, vive um inferno pessoal desde que o britânico Raymond Whelan, executivo da empresa, foi preso sob suspeita de integrar uma quadrilha internacional de cambistas.

Em entrevista ao LANCE!Net, Byrom defende a conduta de um de seus principais funcionários e disse que a polícia ainda não apresentou nenhuma evidência que justifique a reclusão de Whelan no Complexo Penitenciário de Bangu.

Byrom sustentou a tese de que os ingressos de hospitalidade que Whelan negociou com Lamine Fofana, apontado como líder da quadrilha de cambistas, são tíquetes sobre os quais a Match detém direitos.

Questionado se Whelan conhecia as atividades de Fofana, Jaime Byrom não afastou por completo a hipótese:

– Lamine Fofana tem muitos conhecidos no meio do futebol.

> Confira a entrevista na íntegra:

Exatos 12 dias depois de Raymond Whelan se entregar à Justiça, qual é a sua visão particular sobre o caso?

Nos surpreende que um de nossos principais executivos se encontre nas circunstâncias em que Raymond Whelan se encontra. Ainda não entendemos. Apesar de terem passado três semanas desde o início do caso, a nossa equipe jurídica não recebeu as evidências que as autoridades aparentemente têm para justificar suas ações. Nos surpreende que a única evidência tenha sido apresentada na imprensa. É uma experiência nova para a gente. Não tenho dúvida alguma de que ele não deveria estar em Bangu.

O senhor considera, então, que esta é uma ação oportunista?

Tenho muito respeito pela lei e pelas autoridades. Estou seguro de que a Operação Jules Rimet tem fundamentos e tem grande capacidade de combater o poder paralelo. Por outro lado, estou consciente de que, pela relação que tenho com Ray Whelan, de alguma forma houve um mal entendido. Não só me parece, como tenho certeza de que ele não agiu incorretamente. Somos da mesma família (Raymond Whelan é marido de Ivy, irmã de Jaime), tenho toda confiança nele.

Mas, então, por qual razão ele está preso em Bangu?

O tema da distribuição de entradas é complexo. Queria ter a oportunidade de colaborar com o promotor ou qualquer pessoa para ajudar a distinguir o que é ou não é incorreto. Minha opinião pessoal é que há um mal entendido sobre as conversas gravadas entre Whelan e Lamine Fofana (acusado de chefiar uma quadrilha internacional de cambistas). A conversa demonstra apenas que Fofana era um potencial cliente ou tinha acesso a um potencial comprador para um dos programas de hospitalidade que temos todo o direito de vender.

Whelan é suspeito de participar de esquema de cambistas (Foto: AFP)

Mas, então, ele sabia das atividades de Lamine Fofana?

O Fofana é uma pessoa com muitos conhecidos no meio do futebol. Ele é conhecido, assim como Whelan, mas isso não significa que a Match ou Whelan sabiam que Fofana está metido nas atividades que a polícia sugere. O que é verdade é que ainda não temos acesso às evidências que aparentemente respaldam as autoridades. Temos grande inquietação para recebermos e respondermos todas as acusações.

Mas as investigações indicam para a hipótese de que Ray Whelan conhecia a atividade de Fofana e que os pacotes de hospitalidade seriam revendidos por ele...

Se está falando da conversa telefônica entre Whelan e Fofana, Ray está falando especificamente de pacotes que consistiam em sete entradas para o Maracanã. Ele deu o preço de 25 mil dólares, e o valor de 24,75 mil dólares é o que está na tabela. Fofana fala especificamente que tem um cliente para este produto, o que não significa revenda.

Se ele não cometeu nenhum ato criminoso, por que ele fugiu do Copacabana Palace?

É muito difícil responder esta pergunta, já que não falei com o Ray desde então. O que sei é que tinha a restrição de que ele não poderia sair do Rio por oito dias seguidos, portanto não existia nada que impedisse que ele saísse do hotel. Não tenho condições de fazer comentários sobre a forma como Ray e seu advogado (Fernando Fernandes) agiram. E ressalto que ele (Fernandes) segue como representante legal de Raymond.

O caso envolvendo estes ingressos de hospitalidade prejudicam contratos futuros da Match com a Fifa e outros eventuais parceiros?

Temos uma relação de quase 30 anos com a Fifa, eles sabem muito bem quem nós somos. O juízo deles é muito favorável e solidário para com a Match. Eles sabem e conhecem o nível de qualidade de serviços que nós proporcionamos.

Mesmo com esse imbróglio jurídico no Brasil, a Match ainda tem interesse em disputar a concorrência dos pacotes de hospitalidade da Olimpíada Rio-2016?

Há uma licitação para as Olimpíada do Rio, e nós fomos convidados a participar da questão envolvendo pacotes de hospitalidade. Nunca fizemos os Jogos, nos interessa muito fazer. Mantemos nossa crença de que não há razão alguma para não esclarecer a situação. É um pesadelo, nunca esperávamos por isso. É de suma importância para nós que tudo isso seja esclarecido, pois a integridade de um membro da nossa família está sendo questionada.