icons.title signature.placeholder Valdomiro Neto
24/06/2014
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Amigos inscrevem a cidade de Viedma, capital da província do Rio Negro, em bandeira da Argentina (FOTO: Valdomiro Neto)

Córdoba, Mendoza, San Juan, Corrientes, Catamarca, Rio Negro e, claro, Buenos Aires. Os argentinos tomaram Porto Alegre de assalto às vésperas da partida contra a Nigéria. Argentinos, "pero" não todos portenhos! O hábito brasileiro de designar como portenho todo e qualquer argentino, além de um desconhecimento da origem do gentílico - o termo refere-se tão-somente aos habitantes da cidade porturária de Buenos Aires -, revela a errada noção de que o país vizinho restringe-se à sua capital. Um território com cerca de 40 milhões de habitantes, e dividido em 23 províncias, por mais que tenha alta concentração demográfica na região metropolitana de Buenos Aires (quase 40%), é muito mais que seu coração. Que o diga Daniel Javier, natural de Corrientes, no nordeste do país. 

- Foi uma viagem de 15 horas de ônibus. Quero apoiar a seleção, mesmo sem ingresso, porque só de estar perto... É uma oportunidade quase única, não teria dinheiro para ir a uma Copa do Mundo na Europa - contou à reportagem antes de correr para dar entrevista a um canal de televisão de... Corrientes.


Quarteto de amigos de San Juan prestigiam a Fan Fest gaúcha (FOTO: Valdomiro Neto)

As Províncias Unidas do Sul, como menciona o hino nacional referindo-se ao primeiro nome oficial da Argentina, é que estão chegando à capital gaúcha. Durante o jogo Brasil x Camarões, a Fan Fest localizada no Anfiteatro Pôr-do-Sol estava enfeitada com faixas alvicelestes. Uma delas dizia: 'Con amor, Tucumán'. Outra citava uma lista de nomes e, já no fim, a origem daquela gente: Mendoza. 

- Estamos mais próximos do Chile, na área da Cordilheira dos Andes. Viemos pela estrada e em busca de ingressos. Para ser sincero, eu mal conheço Buenos Aires - contou Lionel Rodrigues, que estava com três amigos devotos de Difunta Correa, figura mítica cujo santuário fica na província de San Juan, província vizinha a Mendoza e de onde vem Ariel Videla, que ainda tem fé de que poderá comprar um bilhete para ver sua seleção. 

- Eu trouxe umas 'platas', vamos ver. Primeiro estou buscando hospedagem - declarou, entre risadas. 

Faixa enaltece na chegada da seleção a provincia de Catamarca (FOTO: Valdomiro Neto)

À espera do ônibus da seleção, em frente ao hotel Deville, perto da divisa de Porto Alegre com Canoas, Pablo, já meio alcoolizado, explicou ter juntado dinheiro por quatro meses para essa incursão em Porto Alegre, saindo de Catamarca, no oeste argentino. É outro do movimento dos sem ingresso que, se não conseguir comprar um dentro do seu orçamento, verá a partida em um dos dois telões que a prefeitura disponibilizará (além da Fan Fest, cujo espaço tem capacidade para 20 mil pessoas, haverá outro do lado de fora). 

Como pode se ver, o enorme contingente hermano nestes dias em Porto Alegre não é somente portenho, tem origem em diversos pontos da Argentina. Assim como entre os 23 jogadores que buscam o tricampeonato há origens diversas. Um tal de Messi, por exemplo. O mais ilustre do grupo que está no Brasil nasceu na cidade de Rosário, na província de Santa Fé, distante pouco mais de 300 quilômetros de Buenos Aires.