icons.title signature.placeholder Daniela Caravaggi e Marcio Porto
19/07/2014
08:10

A gloriosa carreira de Rogério Ceni se aproxima do fim, mas seus feitos parecem intermináveis. Neste sábado, contra a Chapecoense, no Morumbi, o goleiro dará mais uma mostra de que, as 41 anos, ainda pode fazer a diferença para o São Paulo e deixar a torcida feliz.

Uma possível vitória será a de número 600 do goleiro com a camisa do Tricolor. Por si só, um feito impressionante. Mas, ao mesmo tempo, o triunfo embalaria um time cujo bom futebol anuncia um desfecho tranquilo para o Mito.

O São Paulo, e Ceni, vivem cenários completamente opostos ao ano passado, quando o goleiro também planejou se aposentar. Agonizando na parte de baixo do Campeonato Brasileiro, num momento em que tudo dava errado, o time tirava até o sono de seu capitão.

– Não comia e não dormia quase nada. Foi o pior ano da minha carreira. Desgastante – disse, após o alívio de ver o time se livrar de um vexaminoso rebaixamento.

Ceni chegou a perder três pênaltis consecutivos em 2013, discutiu publicamente com o ex-diretor de futebol Adalberto Baptista e viu os adversários passearem no Morumbi, a sua segunda casa.

Já neste ano, se ainda falta um título para sacramentar a reação do São Paulo, o desempenho individual do goleiro não deixa a desejar. Converteu os quatro pênaltis que bateu, vai bem debaixo do gol.

No Campeonato Brasileiro, Ceni é o terceiro goleiro com mais defesas (33), atrás apenas de Marcelo Grohe, do Grêmio, e Weverton, do Atlético-PR, com 38 cada.

Contra o Bahia, na última quarta-feira, foi destaque com boas defesas, deixou sua marca de pênalti e ainda treinou após o fim do jogo.

Tudo isso contribui para que capitão assimile com mais tranquilidade a despedida. Se no ano passado o assunto era proibido, até mesmo para não desanimar ainda mais a torcida, agora ele até faz contas.

– Está chegando a hora. Faltam aí as últimas 20, 30 partidas. O importante é parar bem – afirmou.

O capitão está feliz e, se o São Paulo continuar assim, ele vai parar muito bem. A volta do amigo Kaká reforçou o otimismo.

– O Ceni é um ídolo da história do São Paulo justamente porque bate todos os recordes, de gols, de partidas e de vitórias. Isso é mais para reforçar tudo o que fez na carreira dele. Muito legal saber dessa marca e poder participar disso também – afirmou o treinador.

Por tudo que fez, Ceni não merecia o desfecho sombrio de 2013. Na história do São Paulo, são 1149 jogos, com 599 vitórias, 260 empates e 290 derrotas. E incontáveis recordes. Mais um sai neste sábado?

AS VITÓRIAS DE CENI

1ª 25.06.1993 Troféu Santiago de Compostela 4 X 1 Club Deportivo TENERIFE (Espanha)

100ª 10.04.1999 Campeonato Paulista 4 X 0 Sociedade Esportiva MATONENSE (SP)

200ª 27.02.2002 Copa do Brasil 5 X 0 Esporte Clube FLAMENGO (PI)

300ª 20.01.2005 Campeonato Paulista 4 X 2 ITUANO Futebol Clube (SP)

400ª 02.08.2007 Campeonato Brasileiro 3 X 1 Esporte Clube JUVENTUDE (RS)

500ª 28.10.2010 Campeonato Brasileiro 2 X 1 Clube ATLÉTICO PARANAENSE (PR)