icons.title signature.placeholder Raphael Martins
20/03/2014
08:00

Apostar no caminho da modernização. Esta é a alternativa proposta pelo presidente do Peñarol, um dos clubes mais tradicionais do futebol uruguaio, para afastar os indesejados barras-bravas dos estádios. Em conversa com o LANCE!Net, Juan Pedro Damiani deixou claro que este perfil de torcedor violento não é mais bem-vindo.

- Não queremos mais esse tipo de torcedor violento, é um perfil que não interessa ao clube e ao futebol atual. Queremos, sim, aquele torcedor que leva a sua família ao estádio. São esses que fazem a festa do futebol - disse Damiani.

O Peñarol iniciou, em janeiro deste ano, a construção de seu novo estádio, que tem previsão para ser concluído em março do ano que vem. Damiani explicou que a arena já terá padrões internacionais e, o que chama atenção, não contará com alambrados ou fossos separando o público do campo de jogo.

- O nosso estádio não terá grades ou alambrados. É um compromisso nosso. Acredito no bom senso e na educação das pessoas. O nosso torcedor deve ter a consciência de que se ele depredar o estádio, estará depredando um patrimônio do clube. Além disso é uma questão de se cumprir a lei. Se uma pessoa é pega dirigindo alcoolizado, lhe suspendem o direito de dirigir. Então é uma questão de se identificar o torcedor violento e puni-lo exemplarmente - afirmou.

Bate-bola
Juan Pedro Damiani (presidente do Peñarol-URU)

Como surgiu a ideia de construir um estádio próprio?

Somos uma instituição de 123 anos, mas ao longo de boa parte de nossa história a presença do estádio Centenário não impulsionou aos nossos dirigentes a ideia de ter um estádio próprio. Há cerca de quatro anos o projeto nasceu, inspirado quando o Peñarol foi jogar no Santiago Bernabéu contra o Real Madrid. Percebemos que era sustentável o projeto de ter um estáido moderno, capaz de gerar receitas além do futebol.

Quanto custará e de onde sairão os recursos para a construção do estádio?

O projeto não irá mexer com os cofres do Peñarol. A construção está a cargo da maior empresa construtora do Uruguai, além de contarmos com um aporte do Banco Uruguaio. Os custos da obra serão de 45 milhões de dólares (R$ 105,8 milhões), e os gastos serão amortizados com o dinheiro que já conseguimos com a venda de camarotes, cadeiras cativas, e cadeiras de 10 anos. Estas últimas voltarão a ser colocadas à venda a cada 10 anos. O direito de negociação dos naming rights do estádio já estão vendidos para uma empresa uruguaia, assim como o amistoso inaugural. Outra fonte de renda que já está assegurada é a dos espaços gourmet, que já foram todos vendidos. O Peñarol não ficará devendo um dólar sequer após o estádio estar construído.

Por quanto foi negociado este direito de negociar os naming rights?

Por 7,5 milhões de dólares (R$ 17,6 milhões). O valor é o mesmo pelo qual o Peñarol vendeu o amistoso inaugural. Nossa meta é completar o estádio no prazo de 11 a 14 meses.

Qual será a característica mais marcante do novo estádio?

Será um estádio que nascerá no atual padrão Fifa, com capacidade para 40 mil espectadores. Um estádio capaz de receber, inclusive, jogos de Copa do Mundo. Poderemos inclusive, se for necessário, receber alguns jogos da seleção uruguaia. A inspiração arquitetônica foi na Bombonera, do Boca Juniors, mas o nosso será um pouco maior.

Com um estádio próprio, qual será o destino do velho Centenário?

O destino do Centenário será de servir à seleção uruguaia e o Peñarol continuará jogando lá os clássicos contra o Nacional em que for visitante. É um patrimônio histórico do futebol, que precisa ser mais bem cuidado. Infelizmente o Centenário já não atende às nossas demandas.