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16/06/2014
19:30

Um torcedor mexicano chamava a atenção de todos que estavam na avenida Beira-Mar, em Fortaleza, para esperar na porta do hotel a chegada da seleção do México, que nesta terça enfrenta o Brasil no estádio do Castelão. Ou melhor, o que mais chamava a atenção era a bicicleta em que o acrobata Elias de Souza Aguiar estava montado. Em cima de uma bike gigante, que mede 3,3 metros de altura por 3,5 metros de comprimento, ele virou uma das figuras folclóricas da torcida mexicana nesta Copa-14.

Nascido em Lins (SP), Elias cresceu na cidade mato-grossense de Corumbá, mas vive há muitos anos na capital mexicana. Acrobata e fã de futebol, ele juntou as duas coisas e passou a acompanhar as Copas do Mundo in loco. E como ele vai da Cidade do México para a sede de cada Mundial? De bike, claro.

- Já viajei para mais de 50 países de bicicleta e esta é a sétima Copa do Mundo que venho assim. Só não fui à Coréia e ao Japão em 2002. Tudo se iniciou aos 14 anos, quando comecei a construir bicicletas diferentes - explica ele, que futuramente pretende se mudar para Matelândia, no Paraná.

A viagem ao Brasil foi feita na companhia de seu filho Elias Júnior, 24 anos, mexicano de nascimento.

- Nosso filho surgiu de um amor à primeira caída, não à primeira vista - brinca ele.

- Em 1986 fui assistir à Copa no México e em, um show numa praça, uma mulher subiu na minha bicicleta. Estávamos andando e um carro a atropelou. Eu cuidei dela por duas semanas, me apaixonei e encomendamos nosso filho na Copa de 90. Mas há quatro anos estou divorciado porque a milha mulher não aguentou mais viajar comigo e com nosso filho - explica, com bom humor.

Para vir ao Brasil, ele deixou solo mexicano em fevereiro de 2013 e, segundo conta, pedalou por um trajeto de 2,5 mil km passando por Belize, Guatemala, Salvador, Costa Rica e Panamá, com o filho o escoltando em uma caminhonete.


Elias começou a viagem para o Brasil sendo escoltado pelo filho. (Foto: Reprodução/ Facebook)

- Nosso carro foi confiscado junto com os nossos bens na aduana do Panamá. Então pegamos um avião até Natal para o primeiro jogo (México 1 x 0 Camarões) e chegamos a Fortaleza no sábado - completou o acrobata que assistiu à estreia da Tri, apelido da seleção mexicana.

O dinheiro que paga todo o percurso vem da venda de pulseiras que produziu em alusão ao Mundial. Confeccionou 20 mil e já vendeu oito mil por R$ 5 cada uma. Além disso, também arrecada verba da apresentação de acrobacias que realiza mundo afora.