icons.title signature.placeholder Bruno Andrade
20/11/2013
07:20

Do início da década de 80 no Brasil para os teatros da Itália de hoje. A Democracia Corinthiana é tema de um monólogo que está fazendo sucesso na região da Toscana. A peça “A Liberdade É um Toque de Calcanhar” usa o ídolo alvinegro Sócrates, que defendeu a Fiorentina (ITA) entre 1985 e 1986, como plano de fundo para contar a história de um dos maiores movimentos políticos do futebol mundial.

O espetáculo estreou em agosto deste ano no Festival Orizzonti e ganhou espaço no Festival Fontanonestate. Apresentada pelo ator Roberto Ciufoli, a peça tem a direção da LST-Teatro e rodou por diversas cidades italianas. Por causa da repercussão, a Secretaria de Cultura da Região Toscana pretende explorar os pontos da Democracia Corinthiana como recurso didático para o ano letivo de 2014.

Tamanho sucesso da peça despertou o interesse de Kátia Bagnarelli, viúva de Sócrates. Jornalista e autora do livro “Sócrates Brasileiro – Minha vida ao lado do maior torcedor do Brasil”, ela está negociando com o diretor Manfredi Rutelli a adaptação da peça para o português e, assim, iniciar uma turnê no Brasil de janeiro até o Copa do Mundo, que seria exibida de forma gratuita em escolas públicas e estádios. Algumas empresas demonstraram interesse em patrocinar o espetáculo.

Na versão portuguesa, “A Liberdade É um Toque de Calcanhar” será apresentada por um ator brasileiro. Dan Stulbach, torcedor fanático do Corinthians, e Tadeu di Pietro surgem como opções. Mesmo com a adaptação, a expectativa é que a versão italiana também seja usada no Brasil.

Seja na versão portuguesa, seja na italiana, o “gran finale” da peça não vai sofrer alterações: “Com a Democracia Corinthiana, o futebol, agora mais do que nunca, não é apenas uma bola que rola. Agora, não é só a alegria do povo. É a alegria que serve para trazer uma mensagem ao povo. Eis a Democracia Corinthiana”.


Peça sobre a Democracia Corinthiana está fazendo sucesso na Itália (Foto: Divulgação)

A DEMOCRACIA CORINTHIANA

No início da década de 80, ainda nos tempos da ditadura militar no Brasil, os principais jogadores do Corinthians (Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon) criaram a Democracia Corinthiana, um sistema de trabalho em que todos os jogadores opinavam ativamente nas decisões do time. Tudo era decidido de forma democrática, por meio de votos.

BATE-BOLA
Massimiliano Pace (Responsável pela trilha sonora da peça da Democracia Corinthiana)

LANCE!Net: Como o público italiano vê a peça sobre a Democracia Corintiana? Eles entendem o movimento?
Massimiliano Pace: O público está recebendo muito positivamente a peça. Os italianos sabem o que aconteceu politicamente naquele tempo no Brasil, mas ficam surpresos ao descobrir que o futebol foi usado como forma de resposta. A nossa geração era muito sensível ao drama das ditaduras nos países da América do Sul.

L!Net: Qual a opinião sobre o Sócrates na Itália? O que os italianos achavam dele (dentro e fora de campo)?
MP: Sócrates tem um lugar especial no coração dos italianos apesar da breve temporada com a camisa da Fiorentina. Muitos entenderam também a grande importância política dele como homem.

L!Net: Qual a sensação de contar a história da Democracia Corinthiana?
MP: A Democracia Corinthiana é ainda um exemplo único e extremamente importante que deveria e poderia ser aplicado hoje, seja para uma nova humanidade no esporte, seja para uma sensibilização sobre o conceito de democracia real.