icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
01/04/2014
06:01

Ansioso pelo reencontro com o Santos, Paulo Almeida não quis dar brecha para o azar e decidiu garantir uma lembrança do clube do coração antes mesmo do jogo desta quarta-feira, entre Santos e Mixto-MT, na estreia da Copa do Brasil, na Arena Pantanal. Na terça, o volante ligou para França, roupeiro do Peixe, e pediu para o amigo reservar uma camisa para ele.

O gesto simboliza só um pouco do amor que o jogador carrega pelo clube no qual foi revelado. Aos 32 anos de idade, ele defende a equipe de Cuiabá, mas não consegue esquecer o Peixe. E a paixão não é da boca para fora. Paulo não se limita a dizer que acompanha os jogos do Alvinegro. Fala com autoridade sobre o estilo de jogo santista, elogia jogadores pouco aproveitados, como Leandrinho, analisa o sistema tático e conta até o sofrimento vivido em alguns jogos do Santos, como o de domingo, contra o Penapolense.

– Eu sou santista, não tem como ser diferente. E meu filho também é, acompanhamos todos os jogos juntos. Lá em casa só tem um pouco de discussão porque minha mulher é corintiana, então estamos disputando o time que nossa filha de cinco anos vai torcer – conta o bem-humorado marcador, que foi campeão brasileiro pelo Peixe em 2002.

Depois de passar por diversos clubes grandes e pequenos do Brasil, jogar em Portugal, na Grécia e até no Irã, Paulo Almeida encara o duelo desta quarta como uma chance de ouro para mostrar ao Brasil que ainda pode jogar em alto nível. Ele afirma que tem fôlego de sobra e sonha em, quem sabe, ter chance num clube da Serie A.

– A oportunidade está aí. Inauguração de arena da Copa, contra o Santos, com o Brasil todo vendo! - afirma.

O volante, que chegou a jogar no Corinthians, maior rival do Peixe, só enfrentou o Santos em 2003, em um amistoso pela Seleção Brasileira Sub-23. Agora, ele se prepara para um reencontro repleto de emoção, mas no qual não irá aliviar. O estilo "pegador" continua, e Paulo promete não dar moleza para os novos Meninos da Vila.

– Aliviar? Vou chegar junto, marcar forte! No Santos a história está feita, agora é pelo Mixto!

VEJA UM BATE-BOLA EXCLUSIVO COM PAULO ALMEIDA

Como vai ser enfrentar o Santos pela primeira vez, nesta quarta?
Aqui vai ser tranquilo, estou ansioso para voltar à Vila Belmiro. Nosso objetivo é ter o jogo da volta, sabemos que a classificação é muito difícil, mas o futebol é imprevisível. Acho que vai ter reconhecimento da torcida por mim.

Você já está com 32 anos. Chega pronto para os 90 minutos?
Hoje acabou aquela mentalidade de que com 30 anos o jogador não serve mais. O importante é o físico. Eu me cuido muito, não vou para a noite, nunca fui de beber ou fumar. Tenho fôlego de um garoto.

Sua posição está bem servida atualmente no Santos, não?
Demias! Arouca, Cícero, Alison, Alan Santos... são muitos bons jogadores. Muitas vezes me perguntam a diferença dessa geração de garotos para aquela. Quando eu joguei, eram 20 anos sem título, pressão muito grande, faixa de cabeça para baixa, torcida sem paciência pra apoiar, incentivar... Agora é muito mais fácil pra garatoda.

É o jogo do ano para o Mixto. E para você, também é assim?
Sim, minha chance de aparecer. Tem gente que pensa que estou gordão, velho. Não é assim!