icons.title signature.placeholder Daniel Bortoletto
23/04/2014
07:58

A relação entre Paulinho e Copa do Mundo não é das mais calorosas. E não tem a ver com o tradicional clima de Londres, atual moradia do volante e local do bate-papo com o LANCE!Net.

Prestes a disputar pela primeira vez a competição, o jogador de 25 anos não faz questão de esconder um certo afastamento. Não apenas como precaução – um pouco exagerada para um titular da Seleção Brasileira – antes da convocação final de Luiz Felipe Scolari, que acontecerá no dia 7 de maio. Mas também por suas recordações como torcedor não serem parecidas com as de um fanático, algo que se espera de nove entre dez brasileiros, ainda mais quando o sonho de ser profissional de futebol é cultivado desde as peladas em campos de terra na várzea, como é o caso de Paulinho:

– Acho que minha ficha ainda não caiu. Acho que só vai cair quando meu nome aparecer na convocação final. E juro não saber qual será a minha reação.

Nem fazer parte do álbum de figurinhas da Copa, uma febre mundial, faz com os que olhos do volante do Tottenham brilhem.

– Isso não mexe comigo. Nas outras Copas, eu até começava a comprar, mas não tinha paciência para abrir os pacotinhos, colar... Nunca completava o álbum. Meu negócio era sair de casa e jogar bola com os amigos em algum campinho.

Este frio relacionamento de Paulinho com a Copa tem suas primeiras lembranças durante a conquista do tetra, em 1994. Uma vaga recordação para um menino, à época, com cinco anos.

– Lembro que meus amigos e minha família se reuniam para ver os jogos. Tenho na memória só a disputa dos pênaltis contra a Itália.

Em 2002, o adolescente de 14 anos já tinha na cabeça que o futebol seria sua vida. Mas não passava madrugadas em claro para ver a Família Scolari na Coreia e no Japão, durante a conquista do pentacampeonato. Tanto que trocava os VT’s dos jogos na TV, à tarde, pelo campinho de várzea próxima de sua casa, em São Paulo.

– Simplesmente eu torcia, mas não via aquilo como um objetivo de vida. Nem tinha noção do que representava.

Nem a Copa da África do Sul, em 2010, quando Paulinho já era um jogador profissional, fez com que este relacionamento distante se modificasse. Ele tinha acabado de trocar o Bragantino pelo Corinthians. A primeira chance em um grande clube ainda não foi capaz de fazer com que a disputa do Mundial fosse o sonho a ser realizado.

– Eu ainda tinha de conquistar meu espaço, brigava para estar no elenco, começava ser relacionado para os jogos... Vi aquela Copa como todas as outras, sem ter objetivo de estar lá um dia – admite.

A frieza com que trata a Copa muda apenas quando Paulinho se recorda do Maracanã lotado na final da Copa das Confederações, contra a Espanha, em 2013. Na semifinal, marcou um gol diante do Uruguai. Dias depois, deu a volta olímpica para delírio de milhares de torcedores presentes no estádio e dezenas de milhões Brasil afora:

– Eu olhava nos olhos de cada jogador e via a vontade de vencer. A Seleção estava com uma confiança tremenda, já que podia resgatar de uma vez por todas o apoio da torcida se ganhasse o título. E foi isso mesmo que aconteceu. Hoje a Seleção está confiante que vá fazer uma grande trabalho na Copa.

Talvez, assim, com o hexa, a Copa do Mundo passe a ter outra dimensão na vida de Paulinho.