icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes
12/11/2014
07:03

A camisa 10 e o estádio são os únicos pontos em comum que ligam Neymar a Alex em Istambul. No palco onde o maior ídolo da história do Fenerbahçe se consagrou, o astro da Seleção Brasileira também tem bons motivos para ser xodó no país onde os brasileiros têm potencial para se tornar referência. Contra a Turquia, nesta quarta-feira, às 16h30 (de Brasília), o atacante entra em campo com a melhor média de gols pela Seleção desde 2010.

Há cinco anos no time principal do Brasil, pela primeira vez Neymar superou a marca de um gol por partida. Graças aos quatro anotados contra o Japão, ele agora soma cinco gols em quatro compromissos realizados sob o comando de Dunga na temporada 2014/2015, atingindo uma média de 1,25.

Os números são um pouco superiores do que até mesmo o desempenho do atacante pelo Barcelona. No melhor início pelo clube espanhol desde que foi contratado no ano passado, o jogador acumula 12 gols em 14 partidas, com média de 0,85.

Capitão e principal nome da Seleção nos dois últimos duelos de 2014, Neymar, talvez, tenha notado, ao menos nos três primeiros dias do Brasil na cidade, que o assédio ao elenco e a ele, especialmente, não segue o roteiro tradicional de outros lugares nos quais a equipe atua.

Em Istambul, nada de gritos e histeria na porta de hotel e centenas de pessoas do lado de fora dos locais de treinamentos. A passagem do Brasil pela Turquia tem sido discreta e sem badalação. Anomalia justificada, de certa forma, pelo próprio fanatismo dos turcos com os times locais e com a seleção.

Algumas exceções, por sua vez, acontecem como na saída do ônibus para o treino de terça-feira. Um grupo de crianças que saía da escola parou em frente ao hotel da Seleção e, em bom turco, proferiram algumas palavras e gritaram, manifestando apoio aos brasileiros.

Carinho e respeito ao jogador brasileiro em especial que é entendido por Dunga simplesmente a partir da semelhança do ambiente do futebol nos dois países.

- O calor humano do povo turco ao futebol é parecido com o do brasileiro. É por isso que todos os brasileiros se adaptam aqui. E por tudo que Alex fez ele merece, sim, uma estátua - comentou o técnico do Brasil.


NEYMAR POR TEMPORADA NA SELEÇÃO

2014/2015 - 4 JOGOS/ 5 GOLS - MÉDIA: 1,25
2013/2014 - 15 JOGOS/ 11 GOLS - MÉDIA: 0,73
2012/2013 - 20 JOGOS/ 15 GOLS - MÉDIA: 0,75
2011/2012 - 1O JOGOS/ 4 GOLS - MÉDIA: 0,4
2010/2011 - 9 JOGOS/ 5 GOLS - MÉDIA: 0,55

NEYMAR POR TEMPORADA EM CLUBES

2014/2015 - 14 JOGOS/12 GOLS - MÉDIA: 0,85
2013/2014 - 41 JOGOS/15 GOLS - MÉDIA: 0,36
2013 - 23 JOGOS/13 GOLS - MÉDIA: 0,56
2012 - 47 JOGOS/43 GOLS - MÉDIA: 0,91
2011 - 47 JOGOS/24 GOLS - MÉDIA: 0,51
2010 - 60 JOGOS/42 GOLS - MÉDIA: 0,7
2009 - 48 JOGOS/ 14 GOLS - MÉDIA: 0,29

(Estátua de Alex fica em uma praça bem próxima em estádio do Fenerbahçe/ Foto: Eduardo Mendes)

ALEX PELO FENERBAHÇE

378 jogos
185 gols
162 assistências

Campeão turco: 2004/05, 2006/2007,2010/2011
Supercopa da Turquia: 2007 e 2009
Copa da Turquia: 2012

Melhor jogador da Turquia: 2004, 2005 e 2006
20º melhor do mundo em 2006

OUTROS BRASILEITOS QUE FIZERAM SUCESSO NA TURQUIA

Felipe Melo

Ainda atuando no país, é um dos principais ídolos do Galatasaray. Chegou ao clube em 2012 emprestado pela Juventus

Roberto Carlos

Apesar da curta passagem pelo Fenerbahçe, tem respeito dos torcedores. No ano passado, retornou à Turquia para iniciar a carreira como técnico no Sivasspor

Zico

O Galinho comandou a equipe do Fenerbahçe entre 2006 e 2008 e conquistou três títulos.

Taffarel

Atual preparador de goleiros da Seleção e do Galatasaray, o ex-jogador ainda é lembrado na Turquia por ser o goleiro do time responsável pelo primeiro título continental do Galatasaray. Em 2000, os turcos enfrentaram o Arsenal na final da Copa da Uefa.

DIÁRIO DE BORDO

Em Istambul, nem todas as pessoas falam inglês e qualquer tentativa de diálogo torna-se frustrada. Alguns, ainda, entendem a sonoridade quando você tenta dizer que é do Brasil. Inconsciente e inevitavelmente, logo isso remete ao futebol, que lembra Fenerbahçe, que tem como maior jogador Alex. Essa é a lógica do lado asiático da cidade que respira as cores azul e amarelo e idolatra o meia do Coritiba. Então, quando você pronuncia a palavra mágica, tem como resposta imediata um largo sorriso, independentemente do que tenha falado em português. Antes, porém, a correção: Alex na Turquia, na verdade, ganha o acento agudo na pronúncia e é conhecido como "Álex".

É bem verdade que quem acompanha o futebol tem uma pequena noção da idolatria dos turcos pelo camisa 10. Presenciar a realidade in loco, por sua vez, comprova a tese de que realmente os turcos amam Alex. No sábado, o Fenerbahçe jogava às 20h30, horário local, pela liga nacional. Pouco antes do início, passava próximo ao estádio de táxi. Em pouco menos de um minuto, vi duas camisas com o número e o nome eternizados do meia em meio às filas para entrada no jogo.

Até ano passado, a loja oficial do Fenerbahçe vendia camisas de Alex, que deixou o clube em 2012. E só não há mais modelos expostos juntos ao atual uniforme porque foram esgotados, mesmo após a saída do jogador, segundo explicou um funcionário do estabelecimento.

Em meio à adoração pelo jogador, a estátua de bronze exposta em uma praça bem próxima ao estádio torna-se apenas simbólica comparada à paixão dos torcedores do Fenerbahçe por Alex.