icons.title signature.placeholder Rodrigo Ciantar
09/12/2013
19:36

William Batista, de 19 anos, é o único torcedor envolvido na barbárie de Joinville que segue internado. Durante o dia, ele recebeu a visita de familiares. A mãe do rapaz, muito abalada, não quis falar com a imprensa. Já o pai dele classificou o fato como lamentável e, apesar de defender a conduta do filho no dia a dia, diz que se o menino tiver de pagar por algo, terá de fazê-lo.

- A primeira coisa que perguntei a ele foi: "por que?". Ele nunca foi violento, nunca se envolveu em briga nem nada. Tanto que essa foi a primeira vez que ele foi assistir a um jogo do Atlético fora da Curitiba. Não estou querendo justificar, não é isso. Mesmo nessa situação meu filho sendo a vítima, se tiver de pagar por algo, vai pagar - disse Cidinei Silva, pai de William.

Seu Cidinei garante que o filho não faz parte de nenhuma torcida organizada do Atlético Paranaense, mas que costuma assistir aos jogos no "meio naquele meio".

- O William é sócio do Atlético mas não é de organizada. Ele gosta de assistir aos jogos naquele meio, pela animação. Mas não é um rapaz violento. Perguntei para ele o porque disso e ele respondeu que começou o furdunço e, quando reparou, já estava ali na confusão - defendeu o pai do rapaz.

Morador de Curitiba, Cidinei não estava assistindo ao jogo do Atlético, mas ao saber da confusão, mudou de canal e ligou o rádio. Ao ver as imagens, sequer identificou o filho na maca sendo levado para o helicóptero.

- Eu não sou atleticano, então não estava assistindo ao jogo naquele momento. Mas quando começaram a surgir essas informações, mudei de canal. Fiquei tentando achar ele nas imagens. Nem reconheci ele na maca. Ai uma rádio falou os nomes dos torcedores que foram levados ao hospital e disse até que um havia morrido. Fiquei em desespero, peguei o carro e fui para Joinville. Depois soube que a situação dele era a mais grave. Graças a Deus resistiu - contou.

William ainda ficará mais pelo menos quatro dias internado. Segundo Cidinei, o rapaz já está consciente, fala normalmente, mas não consegue se mover direito por estar todo imobilizado e ainda sente muitas dores, principalmente na cabeça.

- Ele já está consciente de tudo o que aconteceu. Fala normalmente. Não consegue se mover ainda e nem comer sozinho. sente dores, principalmente na cabeça, pois é onde está a maioria dos hematomas. O médico não falou nada de sequelas. Tem ainda um sangramento no ouvido, que requer mais cuidados - reveleou Cidinei, que, por fim, manda uma mensagem de paz no futebol.

- O que aconteceu foi abominável. Por isso falei que se meu filho tiver de responder por algo, mesmo sendo a vítima, vai responder. Torcedor tem que vibrar com a vitória, ficar decepcionado em caso de derrota, mas nada de brigar. Futebol não vale isso. Não vale a vida.