icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci e Russel Dias
28/07/2014
07:15

A história se repete: Oswaldo de Oliveira consegue levar um time limitado e cercado de desconfiança ao grupo dos primeiros colocados do Brasileirão. Foi assim com o Botafogo em 2013 – quando esteve no G4 por 31 rodadas e conseguiu a classificação para a Libertadores – e está sendo assim agora, com o Peixe em sexto, a três pontos do vice-líder Corinthians.

Foram quatro vitórias nas últimas cinco rodadas, que proporcionaram não só um salto na classificação, como um alívio ao técnico. Depois do vice paulista, Oswaldo vinha pressionado por conselheiros, diretores e parte da torcida. O técnico chegou a trocar farpas publicamente com o vice do Conselho Deliberativo alvinegro e teve sua demissão cogitada nos bastidores.

Agora, o clima é outro, mas as próximas semanas reservam grandes desafios ao Santos. Os três próximos rivais no Brasileirão estão no G4 (Internacional, Corinthians e Cruzeiro), fato que não preocupa, mas motiva ainda mais Oswaldo.

– Essa sequência é um estímulo. Estar pleiteando uma posição melhor, no topo da tabela, é muito importante. A nossa meta é vencer os jogos. Independente da posição que a gente estiver ocupando, temos que nos preocupar sempre. Nos planejar para vencermos esses jogos – projetou o técnico, após a vitória sobre a Chapecoense.

Ano passado, o Botafogo chegou a liderar o Brasileirão por algumas rodadas, mas fraquejou após perder alguns de seus principais jogadores, como Vitinho e Fellype Gabriel. Agora, o “fantasma” volta a assustar. Com problemas financeiros, a diretoria santista planeja negociar atletas para não fechar no vermelho novamente. Ninguém é considerado inegociável, embora a intenção seja manter os astros do time. O risco perseguirá Oswaldo até o fim da janela, mês que vem.

Com a palavra: Vinícius Perazzini, repórter do Botafogo em 2013, durante a passagem de Oswaldo de Oliveira pelo clube:

Pelo Botafogo, em 2013, Oswaldo de Oliveira comprovou toda sua capacidade em conseguir tirar “leite de pedra”. Mesmo em um ano muito difícil para o clube, que teve o Engenhão interditado e precisou vender diversos jogadores para fazer caixa, o treinador soube reinventar o time lançando talentos da base e fazendo boas apostas. No fim, a equipe conseguiu uma comemorada vaga na Libertadores.

Apesar das perdas no elenco, Oswaldo sempre se manteve fiel ao 4-2-3-1 e o time sabia o que fazer em campo. Existia uma consciência tática muito grande, um resultado evidente dos treinos. Os três jogadores do meio de campo mudavam de posição constantemente, sempre confundindo os rivais.

Oswaldo foi um verdadeiro ponto de equilíbrio para os jogadores, principalmente para os mais jovens. Os salários dos jogadores atrasaram diversas vezes e o time chegou a fazer alguns protestos, porém o técnico sempre soube manter a cabeça do grupo no lugar para os jogos.

Sem Oswaldo de Oliveira, o Botafogo não fez muito neste ano.