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09/02/2015
23:09

Experiente e com rodagem internacional, o técnico do Palmeiras, Oswaldo de Oliveira, comentou sobre o momento técnico, tático e administrativo do futebol brasileiro. Em entrevista ao programa Bem, amigos, do Sportv, nesta segunda, o comandante Alviverde ressaltou que o futebol nacional não evoluiu no aspecto tático como outros países.

- O Futebol, hoje, é muito mais tático e essa transição, talvez, a gente não tenha acompanhado. O improviso e a indivudualidade sempre foram os destaque porque tínhamos "Rivelinos", "Pelés", "Falcões", "Zicos" e sempre formos campeões por termos essas grandes estrelas. O Futebol é cíclico. É mais fácil fazer essa reformulação (estrutural e ideológica) na Alemanha, onde há um entendimento sobre os processos e o que deve ser feito,  do que nos países Sul-Americanos. - disse Oswaldo

O treinador também avaliou o desempenho da Seleção de Dunga, pós-Copa, comentou sobre o processo de venda de jogadores jovens e sobre os pontos fracos do futebol brasileiro. Perguntado se o futebol nacional é limitado taticamente, o técnico foi incisivo e ressaltou os problemas mais evidentes.

- Limitados taticamente? De jeito nenhum. Nossos treinadores são excelentes. Vejo problema na administração. Os clubes não têm autonomia - concluiu

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA:

FUTEBOL BRASILEIRO ENFRAQUECIDO
"Com os últimos resultados, não tenho a menor dúvida (que o mercado brasileiro está enfraquecido). Mas isso foi desde sempre. Agora é o pior momento. A Copa foi disputada aqui e, estando fora, você sente (a decepção das pessoas). Em 82 o mundo inteiro ficou decepcionado. Em 86, se lamentava o declínio de grandes jogadores, o Zico machucado, o Falcão em fim de carreira. Em 90, foi uma decepção que começou a afastar o encanto que o nosso futebol sempre causou. Mas houve a ressurreição quando surgiu Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo. Em todos os lugares se falava desses caras.  

SELEÇÃO PÓS-COPA 2014
" Em termos de Seleção Brasileira, vencemos a Argentina, vice-campeão mundial, no jogo que teve Messi, Neymar. Isso já é um progresso."

TRANSFERÊNCIA DE JOVENS JOGADORES
" Em 2006, eu estava no Fluminense conversando com o Marcelo, e ele tinha uma proposta da Rússia. Mas eu disse (por coincidência): 'Você não é jogador de Rússia, você é jogador de Real Madrid, Seleção Brasileira.' Quando o Vitinho, ex-Botafogo, veio eu contei a mesma história. Ele disse: 'A diferença é grande. Eu tenho filha, mãe e pai (para sustentar), moro no Complexo do Alemão e o que os caras (russos) estão me oferecendo é um absurdo. Eu quero ganhar isso agora. O Vitinho se destacou. Ele chegou e falou: ' Eu vou sair". Tentei convencer ele, mas ele disse: 'Professor, não adianta'. Foi convencido pelo empresário que, da forma que ele se destacou, ele ia ter (na Rússia) uma recompensa maior do que o clube (Botafogo) poderia dar para ele.

INFLUÊNCIA DOS EMPRESÁRIOS DE ATLETAS
"Vem de fora (a decisão sobre a venda) porque os nossos clubes não têm autonomia. Não são senhores dos seus próprios narizes. Os empresário tomaram conta dos jogadores. Quem manda no futebol brasileiro não são mais os clubes. A Lei (Pelé) ajudou os jogadores. Não estou aqui para advogar em prol dos clubes, mas ela tirou a autonomia deles."

PONTOS FRACOS DO FUTEBOL BRASILEIRO
"Limitados taticamente? De jeito nenhum. Nossos treinadores são excelentes. Vejo problema na administração. Os clubes não têm autonomia, não participam da confeccção das tabelas, não conseguem manter seus melhores jogadores na temporada. Se você perder dois ou três terá que reconstituir. Na hora em que pidermos trabalhar em igualdade de condições, vamos voltar a ganhar Copas do Mundo. Estamos com uma nova visão, novos dirigentes que estão com a cabeça boa e estão se municiando e especializando."