icons.title signature.placeholder Bruno Andrade
17/06/2014
08:15

"Agua blanda en roca dura, tanto golpea hasta que se pegue" (Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura). Seja em castelhano, seja em português, o velho ditado popular resume bem a carreira do atacante Oribe Peralta, a principal esperança de gols do México contra o Brasil nesta terça-feira, no Castelão, em Fortaleza.

Natural de Torreón, Peralta não teve uma infância fácil. Longe disso. Até os 16 anos, ele dividia o amor pelo futebol com a necessidade de ajudar o pai. Miguel Ángel Peralta Ruelas, além de trabalhar em uma fábrica de metais, ganhava um dinheiro extra tocando saxofone e piano em restaurantes e bares.

Oribe era uma espécie de “faz-tudo” do pai. Ele cuidava da agenda de shows, ajudava a carregar os instrumentos, instalava todo o equipamento de som e, principalmente, puxava os primeiros aplausos durante as apresentações.

Os "bicos" na área da música não fizeram com que Oribe Peralta deixasse de lado o futebol. Nem mesmo quando ele, aos 17 anos, fraturou a tíbia e teve de ficar um ano afastado dos gramados. Chegou a cogitar desistir do sonho de ser jogador profissional, mas foi convencido pela família a persistir no sonho.

A persistência foi grande. Dos 18 aos 26 anos, o Cepillo (Escova), como é conhecido no país, rodou por diversos clubes do futebol mexicano. Após passagens apagadas por Morelia, León, Monterrey, Chivas e Jaguares, o atacante só conseguiu se firmar no Santos Laguna, em 2010.

– O Oribe sempre foi um jogador de força, com ele não tinha bola perdida. Ele luta em todas as jogadas, encarna o espírito guerreiro. Mesmo sem muita técnica, ele se esforça para marcar os gols – destaca o ex-atacante Eliomar Marcón, ex-companheiro de Peralta no México.

Sem muita técnica, mas com disposição de sobra, Oribe Peralta ganhou a torcida. A premiação máxima de tamanho esforço aconteceu em 2012. Diante do Brasil, na final das Olimpíadas de 2012, em Londres, ele fez os dois gols da vitória por 2 a 1 e garantiu a conquista da inédita medalha de ouro para o México.

A histórica atuação contra a Seleção Brasileira garantiu o posto de ídolo nacional a Peralta, que só atingiu o gol de número 100 na carreira em 2014, já com 30 anos.

Contratado recentemente pelo América do México, ele não é artilheiro, mas é batalhador. Ele não tem qualidade, mas tem estrela. Ele nem sequer é o nome mais badalado da seleção, mas fez o gol da vitória por 1 a 0 na estreia da Copa do Mundo diante de Camarões. Abre o olho, Brasil!