icons.title signature.placeholder Alexandre Braz
06/02/2015
12:49

Medalha de ouro na Olimpíada de 2004, em Atenas, ao lado de Emanuel, Ricardo ainda hoje não assimilou a grandiosidade do feito da dupla, refeita no ano passado, após cinco anos de separação. Se não encontra palavras para descrever a conquista, o baiano, de 40 anos, 18 deles vividos em João Pessoa (PB), tem consciência das responsabilidades que isso lhe trouxe.

- Pergunta difícil (o significado de ser campeão olímpico). Nem eu sei responder. Mas me sinto orgulhoso, porque é difícil se classificar para uma Olimpíada, e mais ainda vencê-la. Participei de quatro e sei das dificuldades. É difícil ter uma palavra, mas, além de alegria, me trouxe muita responsabilidade - afirmou Ricardo, ao LANCE!Net.

E enquanto tenta encontrar a palavra certa, Ricardo, juntamente com seu parceiro, entrará em quadra nesta sexta-feira, exatamente na capital paraibana, para a disputa da sétima etapa do Circuito Brasil Open de vôlei de praia para manter vivo o sonho deles de disputarem os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

No fim da tarde desta quinta-feira, na arena montada na Praia de Cabo Branco, Ricardo conversou com atendeu a imprensa e falou da retomada da parceria com Emanuel, da conquista na Grécia há quase 10 anos, dos planos para o futuro, da renovação do vôlei de praia entre outros assuntos. Confira abaixo a entrevista na integra:

1 - Fale de sua expectativa para esta etapa do Brasil Open.

Para mim, João Pessoa sempre será um lugar especial. Sou suspeito para falar, pois vivo aqui há 18 anos. É a única cidade do Brasil que nunca ficou fora do circuito, mostra a força que este evento tem para atletas. Temos muitos times lutando pelo título e esta etapa poderá fazer uma grande diferença. Espero fazer uma grande participação com o Emanuel. O objetivo é lutar pelo título. sabemos que nossa preparação é para o mundial, mas o circuito brasileiro é muito importante. Um título daria uma motivação enorme para o time todo.

Vocês têm experiência e muitos planos ainda, mas o vôlei também precisa de renovação. Como o Brasil tem feito este trabalho? Você acompanha este processo?

2 - A renovação é um fator importantíssimo para o nosso esporte. Acompanho sim. O Brasil tem grandes atletas jovens e com grande potencial. O George a Andressa, ambos daqui de João Pessoa são grandes jogadores e promissores. A renovação de valores é uma das nossas preocupações, pois somos uma grande potencia em nível mundial e também queremos deixar um legado para as próximas gerações. Torcemos e trabalhamos para que isso nunca se apague.

3 - João Pessoa tem jogadores promissores e talentosos que já estão no Circuito nacional. Como é a relação de vocês com eles?

Muitos destes garotos treinaram conosco. Dentro da quadra, eles são adversários, mas ficamos na torcida para que eles progridam, para que atinjam o sucesso. Pela ligação que foi criada ao longo do tempo, queremos o bem deles. São pessoas queridas e próximas a nós.

4 - Como avalia o retorno da dupla com o Ricardo?

Para mim foi uma surpresa. Não esperávamos que fosse assim, pois na primeira competição que disputamos já fomos campeões (em agosto, em Vitória). Treinamos dois dias e vencemos a competição. Mostramos que nossa química ainda faz diferença. Nosso estilo de jogo permanece o mesmo, não temos a velocidade do passado, mas temos uma experiência que faz diferença.

5 - Onde poderão chegar?

Estamos motivamos com este projeto. Mas sabemos que não será fácil. Temos que tentar nos entrosarmos mais rápido, pois o vôlei mudou e precisamos nos adaptarmos também. Continuo um tempo aqui em João Pessoa, outro no Rio (Ricardo mora na Paraíba, enquanto Emanuel reside no Rio de Janeiro). Tentando nos adequarmos para que tenhamos os resultados que esperamos.

6 - Por que as duplas se separam?

Há motivos diferentes. No nosso caso, estávamos juntos há oito anos. O Emanuel se casou foi viver no Rio... Mas fizemos uma despedida linda, sem ressentimentos. Tínhamos uma equipe linda e não havia motivos para ressentimento.

7 - Há diferença entre jogar com um jogador experiente como o Emanuel, por exemplo, e outro mais jovem?

Sim, há. A experiência conta muito. Jogando com alguém experiente você se desgasta muito menos, gasta menos energia e pode se concentra apenas no que tem de fazer no jogo. Muitas vezes, o atleta jovem não entende o que está se passando em um jogo e você, com mais vivência, tem que ajudá-lo.

8 - O que significa para você ser campeão olímpico?

- Pergunta difícil. (o significado de ser campeão olímpico). Nem eu sei responder. Mas me sinto orgulhoso, porque é difícil se classificar para uma Olimpíada, e mais ainda vencê-la. Participei de quatro e sei das dificuldades. É difícil ter palavra, mas, além de alegria, me trouxe muita responsabilidade. Fico feliz por ter tido pessoas ao meu lado que me proporcionaram esta alegria. Disputei quatro Olimpíadas e agradeço a cada um dos meus companheiros e as pessoas que faziam parda dos nossos times. Minha preocupação maior é porque há um peso grande ser campeão olímpico. Você serve como como referência para muitos. Imagine você tiver um deslize sendo uma referência em um esporte tão importante...

9 - Está com 40 anos. Vai jogar até quando?

Não sei. Enquanto tiver alegria de estar em quadra, vou continuar jogando.

* O repórter viaja a convite da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).