icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci e Russel Dias
23/07/2014
18:04

Os grupos de oposição do Santos Terceira Via, Resgate Santista e Santos Sempre Santos convocaram uma entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira na qual apresentaram denúncia da existência de 6 mil associados fantasmas no clube. Segundo eles, a acusação partiu de um ex-funcionário da CSU, empresa responsável pelo programa Sócio Rei, que não quis se identificar.

Além de uma carta que detalhava como se dava a inscrição de tais sócios, a denúncia conta também com algumas carteirinhas de associados com nomes curiosos. Há, por exemplo, Alexandre Alves Nardoni, que se tornou conhecido pelo assassinato da filha Isabela Nardoni, Alphonsus Gabriel Capone, popular mafioso ítalo-americano do século passado, Edgar Baez, ex-jogador do Peixe e até o falecido ex-ditador chileno Augusto Pinochet.

Os grupos de oposição temem que tais irregularidades sejam usadas na eleição presidencial do clube em dezembro e registrou a denúncia na Polícia Civil de Santos.

Segundo Ricardo Campanario, presidente da Comissão Eleitoral do Peixe, isso não influencia de forma alguma o pleito do fim do ano. Ele explica que tais "fantasmas" não poderiam votar nem mesmo a distância, modalidade que será votada na noite desta quinta-feira pelo Conselho Deliberativo do clube.

Mais do que isso, Campanario afirma que o Santos já tinha ciência da inexistência de diversos associados de seu cadastro.

- Enviamos nosso banco de dados ao Serasa e já tivemos a resposta de que não há a comprovação da existência de milhares de sócios nossos. Não há registro de CPF destes nomes cadastrados. Porém, isso não afeta a eleição, seja ela por meio de urna ou pela internet, como estamos sugerindo, porque criamos mecanismos de segurança - disse, ao LANCE!Net.

Caso seja aprovado o voto à distância, o Santos promete criar uma série de barreiras para evitar fraudes, como explica Campanario:

- A única chance de o Al Capone votar, por exemplo, é se ele aparecer no Santos. Para que a pessoa vote pela internet, ela terá de solicitar isso ao clube com até 15 dias de antecedência. Como um morto fará isso? No dia da eleição, antes de votar, o associado também passará por uma autenticação digital. Depois de votar, ainda há mais duas fases de segurança. O processo também é todo auditado. É tudo muito fácil de monitorar - comentou.

Caso o nome do sócio não conste no Serasa, ele será convidado pelo Peixe a se recadastrar. Sem isso, não será possível votar presencialmente nem a distância.

O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Paulo Schiff, afirma que os 6 mil cadastros irregulares foram apresentados aos conselheiros no dia 10 de junho, no entanto, o trabalho de recadastramento é feito desde março. Segundo ele, os nomes diferentes e impossíveis de votar já estão com o cadastro bloqueado.

- Há três meses o Santos pediu um recadastramento do sócios para verificação, se está vivo, se existe, essa denúncia está atrasada. Isso já foi apresentado em 10 de junho pelo superintendente administrativo. Cerca de 6 mil tem irregularidades. Do tipo de que já morreu, outras pessoas tem incompatibilidades, como um pai colocar filhos associados com o mesmo CPF. As vezes tem erro de grafia também. Essas cinco carteirinhas estão entre 49 que tem essas irregularidades no nome. Não é nenhuma surpresa para nós.

O Santos deu sua versão sobre a polêmica dos sócios fantasmas por meio de uma nota publicada no site oficial do clube no fim da tarde desta quarta-feira. O Peixe diz que o Serasa foi contratado em fevereiro para verificar os dados de todos os associados, já pensando nas eleições. No grupo de 60 mil associados foram encontrados 6 mil com problemas de informação, sendo que 5 mil eram apenas erros de grafia, já sanados. Dos restantes, 49 nomes não batiam com os CPFs (alguns deles foram justamente os apresentados nesta quarta). O clube ainda diz que 1 mil registros ainda estão sendo investigados.

Segundo o Peixe, as cinco carteiras de sócio exibidas na coletiva de imprensa estão bloqueadas: a de Al Capone desde 20/2/2014, a de Vito Corleone desde 10/2/2014, a de Edgar Baéz desde 28/2/2014, a de Alexandre Nardoni desde 5/3/2014 e a de Augusto Pinochet desde 17/2/2014.

Já a CSU prometeu dar esclarecimentos em breve.