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24/02/2015
08:38

*Albert Puig é ex-coordenador das categorias de base do Barcelona

O futebol é um jogo em que não é determinante uma grande anatomia atlética do esportista. Ou seja, desde o jogador mais alto para o mais baixo, do mais forte para os mais fraco, do mais rápido ao mais lento... Todos têm lugar no futebol. A qualidade de seu talento, tanto técnico quanto tático, respaldado pela mentalidade competitiva, marcam seu limite, seu êxito.

É então, que me faço uma pergunta. Por que países de grande tradição futebolística modificaram seus tradicionais estilos? Por um êxito pontual em um campeonato? A consequência... Uma longa travessia no deserto, sem direção, sem rumo, sem fim.

Não seriam êxitos em seleções de categorias de base, onde evidentemente o que importa é o desenvolvimento físico, que provocaram um êxito fictício? Ou a busca rápida por transferência econômica de jovens jogadores para mercados mais poderosos? Será que os jogadores talentosos são privados de sua evolução adequada por conta de um retorno/rendimento imediato?

E mais uma pergunta... Por que me privaram de seguir desfrutando de equipes maravilhosas que minha geração guardou na memória? O Brasil do Mundial da Espanha. A França de Platini. Argentina de Maradona. A Laranja Mecânica de Cruyff...

Sinto saudade daquele futebol, convertido em espetáculo. Tenho saudade daquele jogo ofensivo. Tenho saudade daqueles jogadores. Falcão, Zico, Sócrates, Tigana, Platini, Van Basten, Maradona, Gullit, Cruyff... Sinto falta daqueles treinadores que, apesar de não ganharem o Mundial, deixaram suas marcas neste amado esporte.

Precisamos devolver a beleza e arte ao futebol. Nossos filhos têm o mesmo direito de desfrutar desses momentos inesquecíveis que tivemos a grande sorte de viver.