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26/02/2015
16:48

A repercussão da acusação de doping a Anderson Silva segue causando repercussão no universo do esporte. Nesta quinta-feira, o médico Beny Schmidt definiu a condenação ao lutador como "hipocrisia". Aos olhos do especialista em Patologia Neuromuscular pela Unifesp, a utilização de substâncias químicas com o objetivo de melhorar a performance física é corriqueira entre os atletas.

Após afirmar que alguns laboratórios são especializados em "mascarar, nos exames de sangue e urina, as mesmas substâncias", Beny Schmidt exige uma mudança no conceito de doping para "refletir com inteligência sobre o que significa uma droga". E destaca que é terrível transformar Anderson Silva, "um herói do Brasil, em um vilão corrupto".

'HIPOCRISIA NO ESPORTE'

É sabido, sobretudo por especialistas em preparação física, neuromusculares, patologistas musculares, enfim, pessoas que trabalham ou conhecem as propriedades dos músculos esqueléticos, que grande parte dos atletas profissionais usam substâncias químicas que melhoram a performance física ou acarretam uma hipertrofia muscular.

Também é de conhecimento de boa parte dos cientistas que existem laboratórios especializados em mascarar, nos exames de sangue e urina, estas mesmas substâncias. Estes laboratórios, em geral, possuem uma tecnologia muito mais apurada em relação àqueles que normalmente são utilizados para detectar as substâncias listadas como doping.

Sendo assim, é preciso mudar filosoficamente o conceito de doping e refletir com inteligência sobre o que significa uma droga (qualquer substância da natureza que, acima de uma determinada quantidade, provoca dano à saúde do indivíduo). Por exemplo, os fisiculturistas que eu conheço são usuários destas substâncias proibidas rotineiramente.

A hipocrisia desta situação no esporte leva a outra ocorrência, quando um determinado atleta é “pego no doping”. Boa parte da mídia corrobora para transformá-lo em um verdadeiro fora da lei e, algumas vezes, pior que um bandido cruel. Vejamos o caso desta última luta entre Anderson Silva e Nick Diaz. Em primeiro lugar, deixo esta pergunta: se a luta fosse no Uruguai ou nos estados americanos em que o uso da maconha é permitido, Diaz seria punido? Mas o pior, para mim, é transformar um herói do Brasil, como Anderson Silva, em um vilão corrupto.