icons.title signature.placeholder Amélia Sabino
16/12/2013
15:50

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, denunciou nesta segunda-feira a situação de turnos de trabalho exaustivos nas obras da Arena da Amazônia, em Manaus (AM). Segundo o dirigente sindical, operários apresentaram marcação de pontos da jornada de trabalho que chegam a durar até 18 horas.

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- Tem gente que pega às 7h da manhã de um dia e larga a 1h da manhã do dia seguinte. Tem tudo registrado no ponto. Mais de 40 operários vieram me relatar essa realidade. Eles dizem que são obrigados a ficar, senão tomam advertência. Isso tudo é reflexo da pressa de entregar o estádio - disse Cícero Custódio ao LANCE!Net.

Na manhã desta segunda-feira, os cerca de 1700 trabalhadores da obra fizeram um protesto no canteiro de obras do estádio por melhores condições de trabalho. Além da carga horária, eles também reclama de falta de equipamentos de segurança adequados e alimentação ruim. As obras na cobertura estão paralisadas por ordem judicial, porém os operários também se recusam a trabalhar no solo enquanto não houver garantias de segurança. A reportagem tentou contato com a Andrade Gutierrez, construtora responsável pela obra, sem sucesso. Questionado, o governo do Amazonas também não se pronunciou sobre o assunto.

A vistoria do Ministério Público do Trabalho ainda está em andamento. Além de três procuradores do MPT-AM, um perito técnico do MPT de Porto Velho (RO), auditores fiscais do Trabalho e representantes da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRTE/AM) também participam da vistoria.

Na madrugada do último sábado, Marcleudo de Melo Ferreira, 22 anos, caiu de uma altura de 35 metros na Arena da Amazônia enquanto instalava refletores na cobertura e faleceu. Pouco mais de seis horas depois, José Antônio do Nascimento, 49 anos, sofreu um infarto quando trabalhava nos serviços de limpeza e terraplanagem para o asfaltamento do Centro de Convenções da Amazônia, ao lado do estádio amazonense.

A Arena da Amazônia passa por reformas para a Copa do Mundo, quando receberá quatro jogos na fase de grupos.