icons.title signature.placeholder Leo Burlá
20/06/2014
07:30

As frequentes negativas do técnico francês Didier Deschamps em responder perguntas feitas sobre a ausência do astro Franck Ribéry não são apenas um sintoma de seu conhecido mau humor. Ao virar a página do corte do atacante, o técnico, na realidade, aponta seus olhos para o futuro.

Após bater sem maior problemas Honduras, em jogo válido pela rodada de estréia do Grupo E da Copa do Mundo, a França tem nesta sexta diante da Suíça, 16h, na Fonte Nova, mais um teste para consolidar a evidente renovação em curso.

A lista de convocados para a Copa do Brasil é uma prova de que a França prepara uma geração para este e outros Mundiais. Após o fiasco protagonizado por Henry, Malouda e outros figurões, os Bleus versão 2014 guardam muito pouco em comum com a equipe que naufragou na África do Sul. De lá para cá, apenas Lloris, Evra, Sagna e Valbuena conseguiram sobreviver ao fracasso em solo africano e se mantiveram no time.

– Não estamos pensando no que aconteceu em 2010. O passado é o passado, mas queremos vivenciar aqui no Brasil uma aventura o mais longa possível. Mas sabemos que a experiência dos jogadores não se compra, é necessário que todos passem por alguns eventos até alcançar um maior amadurecimento – disse o goleiro Lloris.

Em vez dos medalhões, o treinador Deschamps apostou na trinca Varane, Pogba e Benzema para conduzir esta rejuvenescida equipe da França, que sob a batuta do capitão da Copa de 98 tornou-se uma seleção que aposta menos fichas na individualidade, e prioriza bem mais o jogo coletivo

– A nossa equipe tem excelentes jogadores, mas tenho certeza absoluta que não dá para fazer nada sem o apoio do time inteiro – atestou o atacante Karim Benzema.

A escala no Brasil também é um ponto de partida para outra grande jornada. Em 2016, o país sediará a Euro. O torneio é visto como o momento mais provável para a afirmação por esta geração. Até lá, os azuis encaram o desafio presente. Mas é fato que o futuro já começou para os franceses.

Com a palavra

Bertrand Blais, repórter do L'Équipe (FRA)

'O grupo é coerente'
 
A renovação, de fato, aconteceu na escolha da comissão técnica. Deschamps formou um grupo bastante coerente e que pode sobreviver bem à ausência de Ribéry.

Embora se trate de um grande jogador, a França agora ganha muito coletivamente. Em vez de as jogadas ficarem restritas a Ribéry e Benzema, outros atletas, como Valbuena, Giroud e o próprio Benzema, têm chance de mostrar suas qualidades técnicas e se revelarem como líderes da nova França.