icons.title signature.placeholder Leo Burlá
24/06/2014
07:06

Enquanto boa parte da Pátria de Chuteiras parou para acompanhar a classificação brasileira às oitavas, em Salvador representantes de 23 instituições responsáveis pela segurança pública da Copa do Mundo tiveram de dividir suas atenções entre os dribles de Neymar e o monitoramento dos pontos de maior aglomeração de pessoas na capital baiana.

O  Centro Integrado de Comando e Controle Regional de Salvador (CICC) funciona em uma enorme sala, e 20 monitores de 60 polegadas cada compõem um enorme painel dos locais considerados mais críticos em dias de jogos da Seleção. Neste grande mosaico, a Fan Fest da Fifa na Barra  e o Pelourinho receberam atenção especial da equipe, que atua no apoio às forças que estão em ação nas ruas da cidade.

Mas bastou a bola rolar para que o silêncio fosse substituído por um tom mais próximo ao dos estádios.  Um bonito passe de Neymar gerou uma tímida e isolada reação. E foi só o camisa 10 abrir o placar para que uma discreta comemoração de gol fosse escutada, e o grupo iniciasse provocações sobre o bolão feito anteriormente ao jogo.

A partida esfriou e, pouco a pouco, perdeu espaço para o trabalho. Mas bastou o empate de Camarões para que um deles, lá do fundo, ordenasse que Scolari escale Maicon na vaga de Daniel Alves.

Enquanto procurava um melhor ângulo de monitoramento do Centro Histórico, um operador de câmera reclamou do excesso de individualismo de Neymar:

– Esse Neymar quer levar todas as bolas do jogo para casa.

Um minuto depois, o astro brasileiro desempatou o jogo.

– O que o Neymar joga é impressionante – disse o antigo “crítico”.

O Brasil ainda ampliaria com Fred e Fernandinho, mas àquela altura todos estavam voltados para os desembarques e escoltas do trio de arbitragem e da seleção do Irã.

A equipe de Felipão já cumprira sua missão, mas as tarefas do pessoal do CICC ainda estavam muito, muito longe de terminar.

Com a palavra

'Nós já estamos acostumados a esta situação'
Major Paulo Roberto, Gerente de Operações do CICC

No primeiro jogo eu confesso que não vi absolutamente nada, mas hoje está um pouco mais tranquilo, já dá para olhar um pouco o jogo.
Mas nós, militares, já estamos acostumados com estas situações. Na Copa -10 eu estava de plantão quando o Brasil foi eliminado pela Holanda. É um olho no trabalho, enquanto o outro fica na partida.

A importância deste centro é muito grande para as forças de segurança envolvidas na Copa do Mundo, pois aqui temos todos os entes sentados lado a lado, o que facilita e integra as nossas ações.

O grande ponto a ser destacado sobre o CICC é que diminuímos demais o tempo de resposta, já que atuamos de forma conjunta e complementar ao pessoal que está nas ruas da cidade. São quase 350 câmeras nos auxiliando neste trabalho.