icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci
14/04/2014
06:10

Não será a festa esperada, mas o Santos tem um motivo a comemorar nesta segunda-feira: o aniversário de 102 anos. Fundado em 14 de abril de 1912, o clube de Vila Belmiro superou barreiras e preconceitos para se tornar uma potência do futebol brasileiro e mundial, mas ainda quer mais. E, assim como Neymar, seu maior ídolo nos últimos anos, adotou a ousadia como lema.

Na última semana, o presidente em exercício do clube, Odílio Rodrigues, recebeu o LANCE!Net para falar sobre mais um ano de vida do Peixe e projetar o futuro alvinegro. Em quase uma hora de entrevista, a palavra ousadia foi repetida dezenas de vezes pelo dirigente, que não cansa de exaltar a vocação santista para fazer gols e revelar talentos.

As categorias de base, inclusive, estão cada vez mais no centro da gestão do clube. O que no passado quase sempre foi um socorro, parece, enfim, ser encarado como o caminho a seguir. Mais do que os 10% do orçamento anual, o Peixe tem destinado tecnologia e fundamentação teórica ao trabalho com os garotos. A ideia é que cada vez mais jovens sejam usados no time principal, em detrimento de medalhões. Contudo, Odílio reconhece que contratações são necessárias, seja para qualificar o elenco, seja para atrair receitas fora de campo.

– É preciso ter consciência de que não se faz um time só com a base. O modelo do Santos tem se mostrado adequado, com mescla de jovens vencedores na base com atletas experientes – disse o dirigente.

Por outro lado, o Santos chega aos 102 anos com desafios e problemas a resolver. Enquanto alguns de seus principais rivais inaugurarão modernas e belas arenas, o clube seguirá sem uma definição sobre seu futuro estádio. Mais do que isso: a situação financeira do Peixe não é boa e tem se agravado ainda mais pela falta de um patrocinador master. Questões que demandarão mais do que apenas ousadia para esse jovem centenário resolver.

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Confira abaixo a entrevista com o dirigente:

O que falar do momento vivido pelo Santos neste aniversário e o que projetar para o futuro?
Pela sua origem, por ser hoje o único dos grandes do futebol brasileiro de uma cidade portuária, de tamanho médio, pela forma que iniciou, as resistências que encontrou, dificuldades que venceu, ocupa hoje um espaço no futebol mundial que quem o fundou jamais imaginou. Chegou até este posto por ousadia de quem passou por aqui, por amor da sua exigente torcida e por ser um clube predestinado a fazer um futebol bonito e revelar jogadores. O projeto de quem está no Santos hoje é de que essa ousadia de quem nos antecedeu continue. Que esse sonho alto continue. Que a gente seja exigente naquilo que queremos para o Santos, porque ele merece. Sonhamos com um Santos grande e vencedor sempre.

Os problemas financeiros são os maiores desafios para o clube hoje?
Esse é um problema não só do Santos, mas do futebol brasileiro. A estrutura atual privilegia uma porção de setores e não preserva os clubes. O futebol é um grande negócio no qual quem mais investe são os clubes, e estes não são os mais beneficiados. Não conheço clube grande que dispute título no Brasil que não tenha problema de fluxo de caixa.

Mas o torcedor se preocupa...
O torcedor não visa lucro, mas títulos. A medida que tem título, torcedor se sente satisfeito e perdoa até se você não teve um resultado financeiro bom. Mas ganhar títulos e medalhas é incompatível com ter um resultado financeiro bom. Ou uma coisa ou outra, ter as duas é difícil.

Não dá para ser vencedor sem ficar no vermelho, então?
Acho difícil.

O senhor fala muito de ousadia. Por que não liderar uma mundança?
Essa ousadia que o Santos tem, esse sonho e desejo de colarborar com o futebol brasileiro, é permanente na diretoria. Mas a gente não faz questão de ser o primeiro ou o unico. Essas transformações só são possíveis de maneira coletiva, envolvendo os clubes, federações, todos os lados. Convidamos para o debate, temos propostas. Os sintomas estão visíveis, não dá para repetir o modelo, porque ele está matando futebol.

Não dá para ir contra o modelo?
E o que você propõe?

Um exemplo: todos criticam a fórmula do Paulistão, mas o Santos a aceitou, foi conivente.
O que o Santos deveria fazer?

O senhor é o presidente...
Então... Você faz perguntas que são válidas do ponto de vista do repórter. Eu poderia em nome do Santos dizer que não disputaríamos o campeonato pois não gostamos do modelo. Você acha válido?

Inviável. Mas por que não liderar uma mudança? Tomar a frente...
É melhor a gente convencer outros clubes. Tem que partir do princípio de que nas lideranças dos clubes e instituições há pessoas de bom senso. Que a gente sente e converse, mostre o que é melhor.

Já houve algum avanço concreto que o senhor possa citar?
Acho que não, mas a semente está lançada. Estamos andando de maneira mais lenta que gostaríamos, mas o debate está aí.


Pacaembu vira única opção para arena

Enquanto os rivais Palmeiras e Corinthians devem estrear suas novas arenas no segundo semestre, o Santos ainda estuda onde fará seu novo estádio. Depois de o projeto em Cubatão ser descartado, formar uma parceria para reformar o Pacaembu aparece como a única opção santista neste momento.

– Se amanhã o Pacaembu estiver disponível, o Santos pode estar associado a investidores que vão administrá-lo. Não colocaremos dinheiro. Lá exige modernização, cobertura, mais conforto, melhor acesso. O investidor faria isto. Para ter retorno, ele deve estar associado a um time que mande jogos lá. O Santos se propõe a isto – disse Odílio Rodrigues, presidente do Peixe.
Reformar a Vila Belmiro é tido como uma opção distante, pelo pouco espaço para crescimento no entorno do estádio santista.

– Queremos conservá-la, mais moderna e oferecendo conforto. A ampliação é incompatível – falou.
Quanto à reforma do CT das categorias de base, o clube ainda estuda propostas – a intenção é seguir para um espaço maior, porém próximo do CT dos profissionais. Semana passada, o clube ouviu duas propostas, sob análise do Comitê.

– Temos de procurar terreno na região, com mais de 70 mil metros quadrados, que comporte cinco campos e alojamento. Tinha uma proposta muito boa em Cubatão, que teve problema ambiental com o CT, teve uma outra, que não deu certo, e agora apareceram mais duas que estamos estudando. Devemos desenvolver as negociações para saber se fica bom o modelo a ser construído e se nos interessa.