icons.title signature.placeholder Bernardo Cruz e Guilherme Cardoso
05/02/2015
08:03

Terminar a Olimpíada de 2016 entre os dez primeiros colocados e conquistar 30 medalhas não é um sonho irreal. Pelo menos, essa é a opinião do novo secretário de Alto Rendimento do ministério do Esporte, Ricardo Trade. Um dos principais executivos do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, ocorrida no Brasil, ele vai assumir a função no lugar de Ricardo Leyser.

– Não conversei com o presidente (do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur) Nuzman, espero ter uma conversa na próxima semana. Mas falei com o Marcão (Marcus Vinícius Freire, Superintendente executivo de Esportes do COB), um amigo antigo, e é uma meta factível – afirmou o dirigente na Arena Lusail, no Qatar, onde acompanhou o Mundial masculino de handebol.

– O Brasil não é um país que se dedica somente a um esporte, mas é um país multiesportivo. Acho que é uma boa meta, acho que vamos conseguir estar entre os dez. E como otimista que sou, na Copa falavam que não ia ficar pronto e eu disse que iria, volto a repetir: “Podemos estar entre os dez, sim”. Vamos ajudar o COB e as confederações, que é o que a gente pode fazer, dar as melhores condições para eles – completou.

Ex-goleiro da Seleção Brasileira masculina de handebol e antigo vice-presidente da Confederação, Trade foi ao Qatar a convite dos organizadores da Copa do Mundo de 2022. Após o trabalho no COL em 2014, ele assuiu o posto de consultor da Rússia, que vai sediar o Mundial de futebol em 2018. E foi chamado para observar o projeto dos qataris.

Ele ainda aguarda a publicação de sua nomeação no Diário Oficial para assumir de vez sua função no ministério do Esporte.

– É uma função nova e estou entusiasmado. Fui convidado pelo ministro (George Hilton) e pelo Leyser, já tivemos a primeira reunião com as confederações e já participei lá no COB. Não posso falar na posição, porque não estou nela. Preciso me inteirar primeiro. A primeira reunião foi fantástica, vi números lá que não sabia, coisas bacanas que estão sendo feitas. Quero me aprofundar, ver o que a gente pode dar continuidade e ouvir as confederações, com o aval do ministro, claro – avaliou.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM RICARDO TRADE:

O que está fazendo no Qatar?
Estou com a Fifa trabalhando com a Rússia, fazendo consultoria, e o Qatar me chamou para trazer uma ideias para eles, bater um papo sobre Copa do Mundo. Mas ainda não trabalho com eles. Sou contratado pela Fifa para para fazer consultoria na Copa da Rússia. Um consultor para ajudar a Rússia a entregar uma bela Copa do Mundo. Estive quarta e quinta (da semana passada) com eles. Estão super animados. Vi os estádios já andando. Domingo, vi um pouco do projeto deles. Passei em frente a um estádo que já estão sendo construído.

Dá para comparar a Copa da Rússia ou do Qatar com a do Brasil?
A Rússia muito parecida por causa da continentalidade, como a nossa. Tem 11 cidades e 12 estádios até o momento. A gente vê distâncias e climas diferentes, tudo parecido com o que nós temos. Acredito que eles possam usar a Copa do Mundo como a Alemanha usou, para abrir e trazer mais turistas. Mostrar uma Rússia pujante, que está crescendo. Aqui no Qatar, me impressiona estarem adiantados no planejamento, são oito anos à frente. Já estão bem adiantados. É interessante. Não mergulhei no projeto ainda. São menos estádios, é mais centralizado. Isso vai trazer uma coisa facilitadora, de estar perto. Mas são cinco estádios dentro de uma cidade: Doha. Vai estar sempre agitado, movimentado.

O que o Qatar quer saber da experiência do Brasil?
Já tem até gente nossa trabalhando no Comitê. Eles foram lá observar. Eles estão querendo trazer um pouco da experiência que a gente viveu no Brasil para colocar o que eles querem. O Brasil é o país do futebol. A gente tem algo que eles podem pegar: celebrar bem, celebrar juntos, sorrindo, trabalhando duro, mas celebrando a Copa do Mundo. Mas não estou ainda aqui. Mas acho que os dois vão fazer uma belíssima Copa, não tenho dúvida disso.

As limitações do Qatar, como bebida alcoólica, podem tornar a Copa no Qatar especial em alguns sentidos?
Já estive aqui outras vezes, estive na Academia Aspire em 2010, e acho que dá para replicar algumas coisas. Independentemente de bebida alcoólica, de calor demais, dá. Eles estão preparados para o calor. Não sei se vai ser no verão ou inverno, vai ser uma decisão da Fifa, mas independentemente do calor ou de não poder ter bebida alcoólica, eles estão prontos para celebrar. O futebol traz essa atmosfera legal. Eu, que vim de outros esportes, me impressionei com a força que o futebol tem.

O que achou das arenas de handebol do Qatar?
Esta aqui (Arena Lusail) é maravilhosa. Sensacional. Uma prova de que eles são capazes de entregar. É o esporte que pratiquei, então estou entusiasmado em assistir a uma final. Bacana que tem o Qatar, país sede, na final. Quem sabe a gente não consegue repetir isso lá na Olimpíada do Brasil. O handebol brasileiro bateu na trave aqui, sou um fanático, assisti pela TV. Estamos chegando, batendo na porta, está na hora do Brasil e acho que vai chegar lá em 2016.

Qual sua experiência no alto rendimento?
Tenho experiência. Trabalhei com alto rendimento no vôlei, trabalhei com o Nuzman na CBV, fui à Olimpíada de Seul como preparador físico, fui atleta de handebol da Seleção. Entendo o que uma equipe e uma comissão técnica precisam. Sou mais um, uma pessoa de equipe, espero que possa ajudar o esporte brasileiro, não só o futebol como a gente fez (na Copa). Trabalhei no Pan de 2007, como diretor de operações durante os Jogos, como gerente-geral e serviços durante a preparação, e na candidatura e 2016, durante três anos, na diretoria de serviços aos Jogos. Tenho uma ligação muito próxima a eles (do COB). Estava lá em Copenhague (DIN) durante a escolha (da sede para 2016), vibrei como um louco e agora vou estar próximo ajudando a realizar esse sonho (da Olimpíada).

*Os repórteres viajam a convite da organização do Mundial masculino de handebol