icons.title signature.placeholder Gabriel Carneiro
11/04/2014
06:02

Aconteceu em 10 de dezembro de 1995. Jogadores de destaque no time atual do Santos, como Geuvânio e Gabigol, eram bebês, ou ainda nem tinham nascido. Mas foi nesse dia em que, orquestrado por um camisa 10 de cabelos pintados de vermelho, o time da Vila Belmiro proporcionou uma das reações mais épicas da história do futebol nacional nas semifinais do Brasileirão. Curiosamente, no mesmo Pacaembu da final do Paulista de 2014, neste domingo, às 16h, entre o Peixe e o Ituano.

Há quase 20 anos, depois de perder por 4 a 1 e ter dois expulsos no Maracanã, o Santos disputou o jogo de volta das semifinais, contra o Fluminense, no Pacaembu. Em teoria, as chances eram baixas. Mas na prática, a situação foi diferente.

– Nem o mais otimista dos santistas poderia esperar, mas foi ali que a gente fez história – relembra, ao LANCE!Net, o ex-meia Giovanni, destaque daquele vice, que, na memória do santista, é um verdadeiro título.

Desde então, o “Messias” dos tempos de vacas magras teve mais duas passagens pelo clube e outras duas gerações de Meninos da Vila encantaram o torcedor. Até 2014, quando uma nova virada pode vir dos pés de outro “G10”: o atacante Geuvânio.

– Ele é jovem, está começando a carreira, mas mostrando que pode ter um caminho legal. Nessa final, o Santos tem que mostrar espírito de decisão, porque o Ituano vai jogar pela vida – diz o antigo G10.

Derrotado por 1 a 0 no primeiro jogo das finais, o Peixe precisa reverter o placar no domingo para conquistar o Paulistão contra o Ituano, uma zebra indesejável para o time veloz e ousado que se destacou nas fases anteriores sob o comando de Oswaldo de Oliveira.

Sob as bênçãos de Giovanni ao herdeiro da camisa 10 por mais uma virada decisiva, o Peixe ganha confiança pelo título estadual.
– Em 95, revertemos um jogo quase impossível. Essa vitória não é tão difícil, é apenas um gol. Vamos saber no dia – torce o Messias.

NOME, NA VERDADE, NÃO FOI HOMENAGEM

Apesar de já ter dito que seu nome é uma grafia errada de Giovanni, que seria dado em homenagem ao Messias, o atacante Geuvânio descobriu recentemente que, na verdade, seu pai via o camisa 10 do Santos atuar e dizia que o filho seria jogador de futebol e ainda jogaria no Peixe. Em 1995, ano em que o G10 estourou, o atual Menino da Vila já tinha três anos de idade. E, antes disso, o jogador ainda era desconhecido do grande público. Giovanni é um dos ídolos de infância de Geuvânio, que tem a família santista.

BATE-BOLA com Giovanni
Ex-meia do Santos, ao LANCE!Net, por telefone

O que você lembra daquela virada épica no Brasileirão de 1995?
Foi um jogo atípico, e felizmente conseguimos virar contra o Fluminense. Entramos para a história com aquele 5 a 2, o título não veio e, mesmo assim, ninguém esquece.

O time de 2014 vai conseguir a virada na decisão do Paulistão?
Tudo pode acontecer. Um gol, que é o que o Santos precisa, pode acontecer a qualquer momento, mas não três ou quatro gols. O que preocupa é que para o Santos é mais um final, e para o Ituano a chance de ficar vivo no Brasil.

E quem vai ser campeão?
Difícil. Os dois podem vencer. O Ituano tem um bom esquema tático, o Santos também, mas às vezes não entra. Histórico não conta.

O que faz hoje, e como é a relação com a diretoria do Santos?
Administro uma escola e uma clínica, bato pelada em Belém, uma vida normal de ex-atleta. Com o Santos, nem tenho mais contato.