icons.title signature.placeholder Felipe Domingues
03/04/2014
21:58

A corrida olímpica já começou. A prova disso são os ciclistas do time Shimano Sports, que participaram de um camp em Ibiúna, interior de São Paulo, nesta quinta-feira. Raíza Goulão, de 23 anos, Isabella Lacerda, de 24, João Gaspar "Canibal", aos 21, e Júlia Alves, de apenas 17, fazem parte da nova iniciativa da Confederação Brasileira de Ciclismo, que criou uma Seleção permanente para disputa de competições nacionais e internacionais.

- A Seleção foi criada esse ano e foi importante, porque antes existia algo nessa linha, mas dependíamos de convocações. Agora fica mais fácil para trabalharmos a periodização do treino, porque meus treinadores sabem quando vou competir. E até mesmo na questão de motivação é melhor, porque representamos o nosso país. Isso é gratificante e um reflexo do nosso trabalho - comentou Isabella, atleta do mountain bike cross country e líder do ranking brasileiro na modalidade.

Isabella Lacerda participou de camp em Ibiúna para apresentação de sua equipe, a LM/Shimano (Foto: Felipe Domingues)

A idade dos atletas impressiona, mas o currículo deles mostra porque a CBC aposta tanto neles. João, por exemplo, recebeu convite da UCI (União Ciclística Internacional) para estagiar na Suiça, em busca de uma equipe na Europa e maior ritmo de competição. Conhecido como "Canibal", o atleta ficou em terceiro lugar geral no Tour do Brasil, disputando com ciclistas muito mais experientes que ele.

- Vou pra Suíça agora, fico até o Mundial, em setembro, na Espanha. O convite da UCI veio no ano passado e eu descobri que eles já me acompanhavam há algum tempo e por isso me deram a chance de competir em algumas provas na Europa, com o intuito de conseguir uma equipe profissional no continente. É uma experiência nova, mas espero ter bons resultados - disse João, que participa da modalidade de ciclismo de estrada.

E algo em comum, além da idade, duas atletas possuem. Raíza e Isabella participaram de um projeto da ex-mountain biker Jacqueline Mourão, primeira a disputar uma Olimpíada na modalidade, em Atenas-2004. Mourão, que também participou de três Jogos de Inverno, deu início em 2009 a uma clínica de desenvolvimento de atletas do ciclismo, com palestras, treinamentos e premiações aos maiores destaques, entre elas, Raíza e Isabella.

- A Jacque foi o pontapé inicial pra minha carreira e é meu espelho. Quero ser a segunda atleta depois dela a disputar uma Olimpíada. Com ela eu pude conhecer a realidade da modalidade lá fora. Quando voltei, aprendi mais técnica, foco, e fiquei mais chata. Exijo muito de mim, por causa dela - comentou Raíza, que ocupa a melhor colocação de uma brasileira no ranking mundial, na 33ª posição.

 Raíza Goulão é a brasileira melhor colocada no ranking mundial da modalidade, na 33ª posição (Foto: Divulgação)

- Ela sempre foi a minha referência, sempre tentei seguir os passos dela, fazer o que ela fazia. O projeto dela unia 30 atletas do Brasil, como um camp, dando palestras, ensinando, treinando. Isso foi uma experiência incrível. Ela me levou ao Canadá por um mês e isso foi um aprendizado muito grande. Ela é um espelho pra mim. Já foi para cinco Olimpíadas e é a pessoa mais indicada no Brasil para que sigamos os passos - completou Isabella.

A caçula do grupo, Júlia Alves, mostra que idade não é um problema quando se trata da paixão por competir e explica que a responsabilidade que o esporte lhe deu, além da coragem de seguir em frente, são as verdadeiras inspirações para, quem sabe, representar o Brasil em 2016. Quanto ao apoio, Júlia é enfática.

- Apoio só venho recebendo moral. Em questão de verba ainda não recebemos nada. Quando viajo pela Seleção, eles bancam, mas quando não, tenho que me virar. Mas hoje moro sozinha e aprendi a ter mais responsabilidade, a me virar sozinha. Agora que entrei na Seleção as coisas ficaram mais tranquilas. Sinto falta da minha família, mas faz parte - disse Júlia, 13ª no ranking Júnior do BMX.

Com muita ou pouca idade, o sonho de todos os atletas é defender as cores do Brasil nos Jogos do Rio-2016 e, se depender da vontade, o país estará bem representado em terras cariocas.

- Eu pensava em 2013 como um sonho, virei o ano para 2014 como meta. Dedicação total, durmo pensando nisso, acordo pensando nisso. Sentei com meu treinador e vi que isso é possível. Estou trabalhando muito e espero chegar bem na Olimpíada  - completou Raíza.

      
João Gaspar. aos 21 anos, e Júlia Alves, com apenas 17, são os caçulas da Seleção Brasileira de Ciclismo que se prepara para os Jogos do Rio-2016 (Foto: Felipe Domingues)