icons.title signature.placeholder João Pires
15/04/2014
07:00

O Brasil produziu diversos tenistas promissores no histórico recente, mas nenhum deles efetivamente conseguiu sucesso no profissional. Um jovem de 16 anos, porém, se dedica para alterar este cenário. Trata-se de Orlando Luz, que vem de uma sequência incrível no circuito juvenil de tênis.

Em março, Orlandinho, como é conhecido, venceu três torneios seguidos. Primeiro, foi campeão do Assunción Bowl, no Paraguai, entre os dias 10 e 15. Em seguida, faturou o Banana Bowl, evento que um brasileiro não vencia desde 1981, quando Eduardo Oncins triunfou.

Para completar a trinca, Orlandinho tornou-se campeão da Copa Gerdau, em Porto Alegre (RS) ao derrotar na final o belga Clement Geens (atual 20º do ranking juvenil). O torneio gaúcho tem o mesmo valor que os quatro Grand Slams, oferecendo 250 pontos no ranking ao vencedor. Os outros torneios que ele venceu pertencem ao segundo escalão do circuito juvenil e oferecem 150 pontos cada.

Com a sequência de títulos, Orlandinho conseguiu escalar o ranking juvenil e chegou à vice-líderança, ficando atrás apenas do alemão Alexander Zverev, de 16 anos e que tem 1.575 pontos. Na atualização da lista de ontem, o brasileiro, com 911 pontos, caiu uma posição e agora é o terceiro, atrás também do americano Francis Tiafoe (932).

— Tenho que encarar isso como uma fase e não só pensar em continuar assim. Preciso subir de nível, não posso me acomodar. Muitos brasileiros que se destacarm cedo se acomodaram e por isso não tiveram sucesso — disse Orlandinho.

Após a trinca de títulos, o tenista gaúcho perdeu a invencibilidade no Sul-Americano Juvenil, na Bolívia, onde ele perdeu nas semifinais para o peruano Juan Rosas (39º). A partir do dia 21 deste mês, ele vai liderar a equipe brasileira no Sul-Americano de sua categoria (entre 14 e 16 anos), na Bolívia, valendo vaga na Copa Davis da categoria.

Orlandinho atualmente treina em Camboriu (SC), sob o comando de Larri Passos, que foi técnico de Gustavo Kuerten durante toda a carreira do ex-líder do ranking.

Não só nas disputas individuais o jovem se destaca. Ele ainda vem de duas conquistas em torneios de duplas, no Assunción e Banana Bowl, ambas com João Menezes.

— Hoje eu penso mais em simples, mas todo tenista que está começando profissionalmente joga duplas em todos os torneios. Venci no Paraguai e no Banana Bowl em dupla. Mas o objetivo e foco é individual - concluiu.

Orlando vai competir no juvenil de Roland Garros este ano. Será seu primeiro Grand Slam (Foto: Divulgação)

Orlando já tem apoios individuais

Mesmo com a pouca idade, Orlandinho já possui um cardápio de patrocínios para se manter no tênis. Além do apoio da Cabanha do Ouriço, empresa de Carazinho (RS), sua cidade-natal, o tenista de 16 anos ainda conta com patrocínios de Nike e Prince. Ambas fornecem material esportivo para ele, além de bonificações dependendo dos resultados obtidos.

Diante disso, Orlandinho já pensa em se tornar mais um pupilo de sucesso do técnico Larri Passos e acredita que o técnico também o vê com bons olhos:

— Sonho com isso, mas tem muito chão pela frente. O Larri me trata igual a todos, mas ele deve sentir um pouco isso pelos resultados que venho tendo. Conversamos muito sobre o mental e o físico e temos uma boa relação.

QUEM É:

Nome:
Orlando Moraes da Luz
Nascimento:
08/02/1998, em Carazinho (RS)
Altura:
1,81m
Títulos:
Campeão da Copa Gerdau, do Assunción Bowl e do Banana Bowl em 2014. Também já foi semifinalista de um Future, em Santa Maria (RS), torneio da ATP.

COM A PALAVRA
Fabrizio Gallas
Colunista de tênis no LANCE!Net

Orlando Luz é um tenista muito técnico, bate bem nos dois lados e tem um jogo agressivo. Tem a melhorar com o saque e a regularidade. Com 16 anos, ele mostra um físico bom após aguentar uma série de três semanas vencendo títulos e jogos desgastantes, além das viagens. Ele tem um corpo já desenvolvido, mas precisa evoluir para o profissional, que exige mais do tenista.

O que mais impressiona é a parte mental. Ele é muito focado e mais forte mentalmente que os rivais nas horas decisivas. Ele é sereno e tem os pés no chão. Sabe que é bom, mas não é soberbo e reconhece que precisa evoluir para encarar o profissional, que tem um grande abismo com os juvenis. Basta ver os brasileiros que brilharam no júnior e ainda não vingaram no profissional, vide Tiago Fernandes (ex-líderdo ranking juvenil).

JOGO RÁPIDO

Livro: Biografia do Nadal. Eu gostei muito de ver a garra com que ele joga independente de quem seja o rival.
Filme: Rocky Balboa
Comida: Pizza.
Ídolo no esporte: Guga.
Como começou: Meu pai (Orlando Pereira) era professor de tênis. Treino desde os três anos.