icons.title signature.placeholder Carlos Alberto Vieira
04/03/2014
03:24

Primeiros 20 minutos da terça-feira de Carnaval. A Vila Isabel ainda estava no início do desfile quando Leandro e Júnior , os laterais do melhor Flamengo de todos os tempos, chegaram na concentração e se uniram aos componentes da Imperatriz Leopoldinense . O desfile do qual Zico era o enredo estava prestes a começar . A dupla usava a roupa dourada e o número 81 no peito. Alusão ao ano do titulo mundial do Flamengo. E ao ano no qual a Imperatriz ganhou seu segundo carnaval, o primeiro sem precisar dividir o caneco com ninguém (o de 80 foi ao lado de Portela e Beija Flor, esta última, a escola pelo qual o Galinho torce).

Edu, irmão de Zico, seguiu para o carro alegórico do América, o segundo da Escola. O time alvirrubro não faz parte do enredo não por ter sido o rival no qual o eterno camisa 10 da Gávea mais gols marcou vestindo a camisa rubro-negra . E sim pelo fato de ser o time que todos os irmãos de Zico defenderam. E que tem em Edu o seu ídolo maior.

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Mais uns minutos e a concentração virava área vip de craques. O goleiro Raul, Adílio, Andrade, Marinho, Lico, Peu, todos campeões do mundo pelo Flamengo; Rivellino (destaque em um dos carros), Edmundo, Paulo Cesar Caju, Robeto Dinamite, Deco. Vários outros esportistas... Virna, Nalbert, Leila.

Zico entrou na passarela quando faltavam quatro minutos para uma da manhã.

- Aqui é a mesma emoção de estar no Maracaña em um jogo. A perna até treme um pouco mais. A torcida cantando meu nome. Está bonito. Agora está valendo, vamos fazer o melhor possível, fazendo um grande desfile, disse Zico, cercado de seguranças e caminhando para o seu carro alegórico enquanto toda a escola aguardava o fim do desfile caótico da Vila Isabel - nem parecia a campeã do ano anterior.

O esquenta foi um parabéns pra você (na segunda-feira foi aniversário do ídolo, 61 anos) e logo em seguida o hino do Flamengo. O jogo começou, ou melhor, o desfile da Imperatriz, quando o relógio marcou 1h27. Como diz a letra, o dia chegou.

Tudo era futebol. Comissão de frente de peladeiros; abre-alas tinha um destaque lançando 400 bolas autografadas por Zico para a torcida; o primeiro carro era uma mesa de totó humano, muito criativa; a primeira ala, uma fantasia com um campo desenhado; as baianas vestidas como bolas; os bateristas, como juízes e seus instrumentos com o desenho do rosto do Galinho; chuteiras gigantes; ala de passo marcado homenageando centenas de clubes; fantasias bem acabadas e carros luxuosos.

O bom início de desfile e o refrão forte e fácil do samba de Elymar Santos chegaram a levantar as arquibancadas, o que não é muito comum para a escola que é considerada a mais fria e técnica do carnaval carioca.

Dá-lhe, Dá-lhe, Dá-lhe Ô
O show começou!
Dá-lhe, Dá-lhe, Dá-lhe Ô
Um canto de amor!
Imperatriz me faz reviver...
Zico faz mais um pra gente ver.

Mas o desfile da escola de Ramos teve problemas. Todos os carros deram dor de cabeça para entrar na avenida. Um deles, que tinha um chuteirão, ficou danificado. Isso gerou complicações visíveis na evolução e na harmonia. De cara, tira da escola qualquer chance de título. E não há como não lamentar que a demora nas entradas de todos os carros alegoricos fez a Imperatriz correr muito na reta final. A ponto de Zico ter passado pela avenida em cerca de 20 minutos. Vapt-vupt.

Apesar da correria, Zico foi ovacionado pelo público, pelos desfilantes e pelo Brocador, que acompanhou tudo pelo camarote da Brahma.

Resta saber se a escola vai brigar para voltar no sábado de carnaval e dar ao Galinho um segundo tempo no turbilhão de emoções que viveu. Tomara.