icons.title signature.placeholder Luis Fernando Ramos
09/11/2014
10:13

A noite cai em Interlagos, mas a pista continua cheia. Mas é um outro tipo de corrida. Ao invés da velocidade dos carros equipados com motores V6, o traçado dá lugar à respiração ofegante de pilotos, preparadores físicos, mecânicos, engenheiros e jornalistas. Correr a pé pelos circuitos tornou-se uma atividade comum aos frequentadores do paddock da categoria.

A “febre” cresceu a partir de 2010, quando o francês Simon Morillas, engenheiro de eletrônica da equipe McLaren, criou um site para que as pessoas registrassem os tempos de suas voltas. Como parte da competitividade típica da Fórmula 1, a ideia era apenas a de se estabelecer quem era o corredor mais rápido. Mas a brincadeira ganhou uma direção surpreeendente.

Batizado de “Run That Track” (“Corra aquela pista”, em inglês), o site logo ganhou o apoio do banco suíço UBS, um dos patrocinadores oficiais da Fórmula 1. Para cada volta registrada no site, a instituição financeira passou a doar cem dólares (cerca de R$ 256,00) para a instituição de caridade “Make A Wish”, que ajuda a crianças gravemente doentes e terem seus sonhos realizados.

A iniciativa já superou a marca de um milhão de dólares de doação - até ontem no final da tarde, haviam sido angariados US$ 1.108.100 no total, 246.000 apenas neste ano. O número de voltas registradas supera facilmente a marca de 100 a cada final de semana de corrida - e costuma ir acima de 200 quando Morillas organiza uma corrida coletiva, realizada eventualmente aos sábados. Para as voltas registradas, nestes eventos especiais, que costumam acontecer umas quatro vezes ao longo da temporada, a doação passa a ser de US$ 200.

Dentre os pilotos que já contribuíram com a causa registrando voltas no site estão o alemão Nico Rosberg e o inglês Jenson Button. O líder na classificação, absolutamente informal, do campeonato deste ano é o alemão Georg Nolte, assessor de imprensa de Rosberg na Mercedes.